Polícia

''Novo Cangaço'' preocupa Segurança Pública no País

Último caso ocorreu no dia 2 de julho em Nova Mutum, no Mato Grosso

Último caso ocorreu no dia 2 de julho em Nova Mutum, no Mato Grosso
Último caso ocorreu no dia 2 de julho em Nova Mutum, no Mato Grosso Foto : Reprodução
Uma ação criminosa ameaça se espalhar pelo País e preocupa as autoridades da área da segurança pública. Trata-se do "Novo Cangaço", modalidade de crime em que quadrilhas fortemente armadas, com cerca de dez homens, invadem e sitiam pequenas cidades, rendendo policiais e moradores além de manter reféns como escudos humanos durante os assaltos a bancos.

O último caso ocorreu no dia 2 de julho em Nova Mutum, no Mato Grosso, quando um grupo criminoso, com fuzis, metralhadoras e pistolas, com toucas ninjas, roupas camufladas e coletes à prova de balas, atacou o Banco do Brasil. O "Novo Cangaço" foi um dos temas debatidos no III Fórum Nacional de Gabinetes de Gestão Integrada em Segurança Pública, realizado pelo Ministério da Justiça em maio deste ano em Belém do Pará.

Diretor da Divisão de Repressão ao Crime Organizado da Polícia Civil do Pará, o delegado João Bosco Rodrigues Júnior confirma que o "Novo Cangaço" prolifera pelas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Já o delegado Luciano Inácio da Silva, do Grupo de Combate ao Crime Organizado da Polícia Civil do Mato Grosso, avalia que as enormes distâncias entre as cidades interioranas destas regiões favorecem a ação de quadrilhas deste tipo. Ele observa que a mobilização policial demora para chegar até o local de um ataque.

A Polícia Federal também está empenhada em combater os "novos cangaceiros". Em junho passado, a PF desencadeou uma operação na Bahia e Pernambuco, apreendendo armamento pesado e prendendo 15 bandidos. No Rio Grande do Sul, a ação destas quadrilhas ainda não foi registrada, mas os métodos foram copiados pelos bandidos gaúchos.

Bandidos gaúchos importaram método criminoso


O ataque às agências do Banrisul, Banco do Brasil e Sicredi, em Boqueirão do Leão, em setembro de 2009, é considerado um marco para a Brigada Militar na adoção de uma nova estratégia contra as quadrilhas fortemente armadas que invadiam as cidades pequenas, imitando os "novos cangaceiros", e mantinham reféns como escudos humanos nos assaltos a bancos. A avaliação é do subcomandante geral da BM, coronel Jones Calixtrato Barreto dos Santos. Ele lembra que ataques parecidos vinham sendo registrados no Estado, como os roubos contra as agências do Banco do Brasil e Banrisul, em Triunfo e Farroupilha, em 2008, além do Banrisul de Rolante em 2006.

Um mapeamento das rotas de chegada e de fuga dos criminosos em cada região foi realizado. Já os cercos policiais foram prolongados, pois descobriu-se que os bandidos acampavam nos matos. "Aumentamos ainda o perímetro do cerco", observou o coronel. Ele lembra que as distâncias entre as cidades gaúchas são pequenas, o que permite o envio rápido de um forte contingente ao local do ataque. A estratégia da BM, que resultou em diversas prisões, foi elogiada pelo diretor da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal/RS, delegado José Antônio Dornelles, que destaca a integração policial no Estado.

Responsável pela DP de Roubos a Bancos, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), o delegado Juliano Ferreira ressalta também o trabalho investigativo da Polícia Civil que identificou os assaltantes que integravam as quadrilhas mais atuantes e efetuou prisões. Segundo ele, os assaltantes gaúchos incorporaram elementos do "Novo Cangaço" ao constatarem o sucesso deste tipo de ação em outros estados.