Um dos oficiais da Brigada Militar que atuou nas negociações para a liberação da operária Josiane Pontes, de 29 anos, mantida em cárcere privado pelo ex-companheiro em Canoas, major Francisco Lannes afirmou que "sintomas de bipolaridade" (distúrbio caracterizado pela variação extrema do humor) eram evidentes em Rodrigo Luz. Ele disse em entrevista ao programa Guaíba Cidades, da Rádio Guaíba, que o vigilante alterava seu comportamento com facilidade propondo se entregar por pelo menos três vezes, mas recuando sempre na hora decisiva, situação que durou quase 70 horas.
O policial disse que o casal usou medicamentos durante todo o cárcere privado. Segundo Lannes, ele ingeria anfetaminas (estimulantes) e ela, tranquilizantes. O oficial explicou que todas as informações sobre a vida do homem e da mulher foram apuradas pela polícia e usadas nas negociações. A relação com os filhos e a necessidade de manter a vida de todos para não prejudicar o desenvolvimento das crianças foram temas citados nos telefonemas ao vigilante, que da noite de sexta-feira até a noite de segunda dominou a ex-companheira com o uso de uma arma.
Vieira explicou que todas as negociações têm fases e começam sempre com o estabelecimento do diálogo. Disse ainda que o subcomandante da Brigada Militar, coronel Jones Calixtrato, determinou manter as conversas antes de avançar para as etapas seguintes. Uma das propostas recusadas pelo vigilante foi a troca de pão pela munição que portava, mas aceitou entregar roupas para os filhos e receber alimentos. Com essa situação, a BM acredita ter conquistado a confiança dele.
O major atua na BM há 22 anos – 10 desses no Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate). Conforme o comando da corporação, ele já integrou a Força Nacional de Segurança em missão da Organização das Nações Unidas (ONU). O oficial destacou a importância do colega Rodolfo Pacheco em sua formação. Os dois atuaram nas negociações para o fim do caso conhecido como o sequestro do taxi-lotação, em Porto Alegre, em 2002.
Já o capitão Rogério Araújo, parceiro de Vieira nas negociações, tem curso de gerenciamento de crises na Argentina e em São Paulo. Os dois oficiais trabalharam juntos, em outubro passado, quando um corretor de seguros manteve a ex-namorada em cárcere privado por alguns minutos e depois passou 12 horas trancado no apartamento dela até se entregar à polícia, no bairro Tristeza, na Capital. Na avaliação do major, a Polícia militar gaúcha é a melhor do País na resolução de situações envolvendo reféns.
Oficial diz que comportamento "bipolar" dificultou rendição de vigilante
Homem de 32 anos manteve por quase três dias ex-mulher em cárcere privado