Oito pessoas foram presas durante a Operação Desfecho, deflagrada nesta quarta-feira no Vale do Rio Pardo. A ação teve como alvo um grupo criminoso que praticava extorsões na modalidade “golpe dos nudes”. O esquema era coordenado por detentos no interior da Presídio Estadual de Candelária, onde ocorreram buscas com apoio da Polícia Penal.
Além da unidade prisional, também foram efetuadas diligências em Venâncio Aires e Vale Verde. A ofensiva é fruto de um ano de investigação, que começou quando um morador do Esteio tirou a própria vida após ser alvo do grupo criminoso.
Na ocasião, o homem ainda deixou uma carta em que informava não conseguir mais viver devido às extorsões que sofria. Foi a filha dele que denunciou o crime, após localizar mensagens dos golpistas no aparelho celular do pai.
Em uma das mensagens, um criminoso ameaçava “tomar medidas drásticas” caso a vítima não realizasse transferências bancárias. Os golpistas chegaram a utilizar um perfil falso no WhatsApp com a foto de um agente público que seria um corregedor de Justiça.
De acordo com titular da DP de Esteio, Gabriel Lourenço, há familiares de presidiários que também são suspeitos de envolvimento no esquema. O delegado adiciona que, além do caso em questão, a quadrilha também fez vítimas em outros municípios gaúchos.
"Todos os investigados são apenados ou familiares deles, os quais faziam do golpe um meio de subsistência. Os suspeitos procuravam um perfil de vítima bem delimitado, sendo em regra homens em torno de 50 anos e sem antecedentes policiais. No caso de Esteio, infelizmente o esquema criminoso levou um morador a tirar a própria vida, a partir de ameaças que partiam de dentro do sistema prisional”, apontou o delegado Gabriel Lourenço.
Para aplicar o chamado “golpe dos nudes”, inicialmente, os criminosos buscam vítimas em redes sociais e no WhatsApp, através do uso de um perfil falso. O personagem finge ser uma jovem bonita, passando a instigar trocas de mensagens de cunho sexual e fotos íntimas.
É então que entra em cena um segundo golpista, que geralmente faz contato como fosse pai da suposta mulher. O falso parente diz que a filha era menor de idade e passa exigir depósitos em dinheiro, sob ameaça de denunciar a vítima por pedofilia.
Na sequência, mais criminosos entram na farsa e fingem ser delegados, advogados, entre outras autoridades. Sempre com demanda de valores e ameaças, eles dizem que a vítima responderá criminalmente caso não transfira o montante exigido.
Conforme o diretor da 2ª Delegacia Regional Metropolitana (2ªDPRM), Cristiano Reschke, a desarticulação de esquemas como esse são prioridade.
"Não podemos fechar os olhos para a violência psíquica, pois ela é permanente e causa danos irreversíveis. Através da vergonha e do medo, as vítimas se tornam alvo de ameaças e extorsões, o que tende a levar a desfechos trágicos como o que gerou a investigação em Esteio. Não é admissível que cidadãos livres sejam sujeitos a tamanha agressão por quem está preso”, concluiu o delegado regional.