Polícia

Onze pessoas são presas em ação contra grupo de SP que lesou moradora de Canoas em R$ 55 mil

Operação Justa Causa teve como alvo quadrilha que fazia uso de inteligência artificial para aplicar golpes

Quadrilha de SP foi alvo da Operação Justa Causa
Quadrilha de SP foi alvo da Operação Justa Causa Foto : Polícia Civil / CP

Onze pessoas foram presas na Operação Justa Causa, deflagrada nesta quinta-feira contra uma quadrilha com núcleo no estado de São Paulo, mas que fez vítimas em todo o Brasil. O esquema operava através do “golpe do falso funcionário do banco”, que é quando criminosos utilizam celulares para fingir ser gerentes de instituições financeiras. No Rio Grande do Sul, um dos alvos do grupo criminoso foi uma funcionária pública.

A vítima em solo gaúcho é moradora de Canoas, na região Metropolitana. De acordo com a delegada Luciane Bertoletti, titular da 3ª DP do município, a servidora foi lesada em cerca de R$ 55 mil.

Bertoletti explica que o modo de atuação dos golpistas consistia em se passar por gerentes de banco. A farsa ocorria por meio de spoofing, como é conhecido o sistema que falsifica o número de uma chamada. Em outras palavras, os criminosos ligavam para as vítimas, mas o número que aparecia para elas era o do banco. O esquema ainda contava com uso de inteligência artificial para alterar a voz dos criminosos.

No caso da moradora de Canoas, ainda segundo a delegada, os estelionatários ligaram para pedir confirmação de uma transação bancária que ela teria efetuado. Depois que a mulher negou ter feito a operação, foi solicitada transferência de valores via Pix, com alegação que isso seria necessário para cancelar a suposta compra. Conforme a vítima, os criminosos utilizaram uma voz similar a do gerente dela para aplicar o golpe.

Nesta manhã, os suspeitos foram presos em Campinas, Hortolândia e na capital paulista. Houve a apreensão de R$ 21 mil em espécie, comprovantes e envelopes de depósitos, documentos e celulares. As diligências contaram com apoio de agentes da 11ª DP de Campinas, além de policiais gaúchos.

O diretor da 2ª Delegacia Regional Metropolitana (2ªDPRM), Cristiano Reschke, estima que os golpistas fizeram aproximadamente 500 vítimas país afora. Ele destaca que, para a desarticulação de grupos criminosos que atuam nessa espécie de estelionato, é preciso haver cooperação entre as forças policiais de diferentes estados do Brasil.

"A virtualização dos golpes e o distanciamento territorial entre criminosos e vítimas traz um elemento a mais para dificultar a investigação, o que favorece a migração de bandidos para essas modalidades de golpe. Nos cumpre aprimorar técnicas e atuar em rede contra esses grupos”, afirmou o delegado regional.

Por fim, vale destacar que sete dos investigados já tinham sido presos em flagrante pelo mesmo tipo de crime, no dia 15 de agosto, por agentes da Polícia Civil de SP. Os suspeitos, entretanto, foram soltos após a Justiça autorizar que eles respondessem em liberdade. Nesta manhã, todos foram novamente alvo de mandados de prisão.