Polícia

Operação confisca bens de facção e bloqueia quase R$ 11 milhões

Ação da Polícia Civil cumpre 30 mandados de busca e apreensão e 11 de prisão em Porto Alegre, Cachoeirinha, Viamão, Taquara, Gravataí e Canoas

Operação apreendeu 31 veículos da facção
Operação apreendeu 31 veículos da facção Foto : Polícia Civil / Divulgação / CP
Deflagrada nesta quinta-feira, a operação Quebra-Cabeça confiscou bens de uma facção criminosa com atuação no Rio Grande do Sul. Até o momento, foram retirados da organização quase R$ 11 milhões. São 32 imóveis sequestrados, 31 veículos e R$ 757 mil bloqueados em contas bancárias de empresas laranjas. A ação da Polícia Civil cumpre 30 mandados de busca e apreensão e 11 mandados de prisão em Porto Alegre, Cachoeirinha, Viamão, Taquara, Gravataí e Canoas. Até as 8h, cinco pessoas foram presas.

A facção era comandada por Jackson Peixoto Rodrigues, o Nego Jackson, 34 anos. Um dos principais distribuidores de drogas no Estado, Nego Jackson também instaurou uma guerra sangranta principalmente em Porto Alegre e Gravataí, cidades onde a facção atuava com mais força. Jackson foi preso em janeiro deste ano em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Hoje ele está detido na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia - uma das cinco penitenciárias de máxima segurança do Brasil.

A investigação para desmantelar a facção e indentificar seus personagens e também empresas usadas para lavar dinheiro começou há cerca de oito meses, após a prisão de Nego Jackson. As principais provas que ajudaram a Polícia Civil a encontrar os personagens que montavam o quebra-cabeça da facção são de crimes cometidos a mando do líder no ano de 2016.

A operação é comandada pelo delegado Filipe Borges Bringhenti, da Delegacia de Repressão ao Crime de Lavagem de Dinheiro do Gabinete de Inteligência e Assuntos Estratégicos da Polícia Civil.

Com a prisão do líder, facção era comandada por mulheres

Desde janeiro em Rondônia, a 3,5 mil quilômetros de Porto Alegre, Nego Jackson se afastou do comando da facção. Em um presídio de segurança máxima, o líder não tem direito nem a fazer uma ligação. A quadrilha ficou a cargo de duas mulheres, responsáveis principalmente pela contabilidade da quadrilha.

A protagonista do esquema de venda de drogas e lavagem de dinheiro é Raquel Lopes dos Santos, 42 anos. Gerente financeira da facção, ela recebia todo o dinheiro oriundo do tráfico. Com o montante em mãos, Raquel escolhia pessoas - sem antecedentes criminais - que depositavam o dinheiro em contas de empresas laranjas. Para fazer o dinheiro circular e despistar sua origem, o grupo trabalhava com firmas de outros Estados, como Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Piauí.

Durante a operação, uma das mulheres responsáveis por depositar o dinheiro em caixas eletrônicos foi presa. Familiar de Raquel e sem antencedentes criminais, a mulher tinha a função de lavar dinheiro. Ela era apenas uma das pessoas da quadrilha que tinha essa responsabilidade.

Ao lado de Raquel, a mulher de Nego Jackson também comandava a facção. Pamela Monteiro Pereira era responsável pela constante troca de patrimôniso. Ela lavava dinheiro comprando imóveis e veículos. Pamela foi presa durante a operação. Ainda não se sabe para qual presídio ela foi encaminhada.

A operação prendeu também o sogro de Jackson. Ela alugava veículos, adquiria patrômios e assinava contratos com empresas. O ersponsável pelo transporte do dinheiro da organização também foi detido.

A operação em números

- 30 mandados de busca e apreensão em Porto Alegre, Cachoeirinha, Viamão, Taquara, Gravataí e Canoas.

- 11 mandados de prissão

- 5 pessoas presas até as 8h

- 32 imóveis sequestestrados

- 31 veículos apreendidos

- Total de bens da facção bloqueados até as 8h: R$ 10.6000.000

- Investigação durou oito meses

- Facção atuava principalmente em Porto Alegre e Gravataí

- As empresas usadas para lavar dinheiro ficavam no Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Piauí.