Polícia

Operação Dupla Jornada visa desarticular organização especializada em extorsão mediante a sequestro

Até o momento, 13 pessoas foram presas e seis celulares foram aprendidos

Policiais cumpriram 27 ordens judiciais, sendo 13 de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão em Porto Alegre, Gravataí, Viamão, Santo Antônio da Patrulha, São Jerônimo e Charqueadas
Policiais cumpriram 27 ordens judiciais, sendo 13 de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão em Porto Alegre, Gravataí, Viamão, Santo Antônio da Patrulha, São Jerônimo e Charqueadas Foto : Polícia Civil RS / CP

A operação Dupla Jornada, da Polícia Civil, coordenada pela 1ª Delegacia de Polícia de Repressão a Roubos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), prendeu nesta quinta-feira, 13 pessoas e apreendeu seis aparelhos celulares. A operação visa desarticular uma sofisticada organização criminosa especializada em extorsão mediante sequestro, que manteve em cativeiro um casal de idosos, proprietários de supermercados na Região Metropolitana de Porto Alegre, exigindo o pagamento de R$ 1.000.000,00 para libertação das vítimas.

A operação tinha como objetivo cumprir 27 ordens judiciais, dentre as quais, 13 prisões preventivas e 14 mandados de busca e apreensão, nas cidades de Porto Alegre, Gravataí, Viamão, Santo Antônio, São Jerônimo e Charqueadas.

Investigação começou em março

A investigação teve início em março de 2025, quando a vítima 1, de 68 anos, e vítima 2, de 69 anos, foram arrebatadas em sua residência por vários criminosos armados e levadas para um cativeiro, em Santo Antônio da Patrulha. O crime foi meticulosamente planejado e executado por uma organização que demonstrou alto grau de sofisticação operacional, utilizando desde informações privilegiadas, obtidas por funcionários infiltrados, até equipamentos de comunicação dentro do sistema prisional.

O sequestro revelou a complexa estrutura da organização criminosa, que operava tanto dentro quanto fora do sistema penitenciário. As investigações apontaram que o apenado recolhido exercia papel de liderança no grupo, coordenando as ações criminosas através de aparelhos celulares. Ele mantinha contato direto com os executores do crime, orientando desde o planejamento até a execução do sequestro.

A investigação demonstrou que a organização havia preparado durante semanas, tentando, por duas vezes, arrebatar o casal, sem sucesso. Além disso, uma funcionária do supermercado das vítimas, ficou responsável por fornecer informações sobre sua rotina, chegando a fotografá-la, momentos antes do arrebatamento. As imagens do sistema de monitoramento do estabelecimento comercial captaram o exato momento em que a funcionária registrava a saída da vítima, transmitindo essas informações aos sequestradores, possibilitando, minutos depois, o arrebatamento.

Durante o período em que as vítimas permaneceram em cativeiro, os criminosos demonstraram extrema frieza e organização, ameaçando as vítimas com arma de fogo, a todo tempo, e coagindo seus familiares a realizar pagamento, sob pena de executá-las.

Na ocasião dos fatos, após a atuação da 1ª Delegacia de Roubos – DEIC, em apoio da Brigada Militar, quatro pessoas foram presas em flagrante delito pelo crime de extorsão mediante sequestro. As vítimas foram soltas, na sequência, em uma área rural da RS 030, em Santo Antônio da Patrulha.

Aprofundamento das investigações

Com o aprofundamento das investigações, foi possível identificar mais 13 criminosos envolvidos nesta extorsão mediante sequestro. No mais, o suspeito, de dentro do sistema prisional, objetivava realizar mais dez sequestros, demonstrando a dimensão das pretensões criminosas da organização. Foi possível identificar que, os próximos alvos dos criminosos, seriam um médico e uma “influencer”, sendo encontrados, inclusive, materiais sobre as suas rotinas e detalhe da residência daquele, nos materiais apreendidos pela Polícia Civil. As identidades de ambos não serão divulgadas e eles serão oportunamente intimados para tomar ciência dos fatos.

Nas conversas interceptadas, os criminosos chegaram a detalhar métodos de tortura que utilizariam caso as vítimas não colaborassem, incluindo ameaças de mutilação. Em uma das gravações, um dos integrantes sugere "arrancar o dedo" da vítima para forçar a abertura de um cofre.

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Um dos participantes do sequestro, o qual já possuía passagens policiais por homicídio, roubo a estabelecimento comercial, porte de arma de fogo, entre outros crimes, chegou a sugerir "eliminar a velha" em referência à vítima, propondo "cavar uma cova" para se desfazer do corpo, corroborando que estavam dispostos a matar as vítimas, se fosse necessário.

O grupo criminoso também demonstrou capacidade de adaptação e planejamento logístico sofisticado, já que dispunham de veículos clonados, uniformes falsificados da Polícia Civil, equipamentos de comunicação como giróflex, além de armas de fogo.

A Operação de hoje visa, não apenas prender os responsáveis pelo sequestro do casal de idosos, mas também desarticular toda a estrutura da organização criminosa, impedindo a prática de novos crimes e garantindo que os responsáveis respondam pela gravidade de seus atos.