Polícia

Operação em cativeiro em Gravataí deixa um morto

Polícias gaúcha e paranaense realizaram ação conjunta na região metropolitana

Ação em cativeiro em Gravataí deixa um morto
Ação em cativeiro em Gravataí deixa um morto Foto : Fabiano Amaral
Pelo menos uma pessoa morreu em ação conjunta da Polícia Civil do Paraná e polícias Civil e Militar do Estado. Agentes invadiram o cativeiro onde eram mantidos dois empresários reféns – um sobrado amarelo na rua Doutor Luiz Bastos do Prado, atrás da Câmara de Vereadores de Gravataí. As identidades dos envolvidos ainda não foram reveladas.

Na madrugada desta terça, o sargento da Brigada Militar Ariel da Silva foi morto após troca de tiros com agentes paranaenses em Gravataí. De acordo com nota oficial do Departamento da Polícia Civil do Paraná, uma equipe do Grupo Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre) foi deslocada ao Rio Grande do Sul para investigar uma quadrilha que praticaria extorsão mediante sequestro.

Sargento teria disparado antes


Os policiais paranaenses suspeitos de matar o sargento teriam declarado ele teria disparado contra a viatura dos agentes, segundo o comandante do Policiamento Metropolitano, Silanus Mello. “A versão dos policiais civis é de que o sargento teria atirado contra a viatura e eles teriam revidado”, declarou.

Segundo o coronel, o policial militar (PM) visitava o pai, que mora nas redondezas. “O sargento estava de folga, então a ocorrência foi apresentada na Delegacia de Polícia Civil, onde vai ser instituído inquérito. Nós vamos abrir um procedimento administrativo para saber em que circunstâncias isso aconteceu, porque isso tem conseqüências no futuro”, acrescentou Mello.

Evidências contestam depoimentos


No entanto, o posicionamento da viatura da Polícia Civil do Paraná durante a troca de tiros em Gravataí contraria o depoimento dos agentes, conforme o comandante do 17º Batalhão de Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Dirceu Lopes. “Pelas evidências que eu vi, não é lógico que o policial tenha feito a abordagem”, declarou.

Para Lopes, que esteve no local, a informação fornecida pelos policiais paranaenses é contraditória. “O que nós verificamos é que a moto estava posicionada no meio da rua, e o veículo dos policiais aproximadamente sete metros à frente, em uma posição diagonal. Os policiais confirmaram que eles estavam fazendo um levantamento no local e a moto do sargento teria passado por eles, parado um pouco à frente, e feito o retorno. O sargento teria ido atrás do veículo e abordado os agentes”, declarou. 

De acordo com o comandante, a experiência profissional do sargento leva a crer que ele não agiria com imprudência: “não é lógica esse tipo de procedimento porque um sargento com 21 anos de serviço e há mais de um ano na inteligência sabe que não se faz abordagem sem supremacia de força. É estranho que ele tenha atuado como dizem os policiais. No mínimo, questionável”. O exame residuográfico ajudará a esclarecer o caso.

Prisão temporária

O Ministério Público (MP) acatou o pedido da Promotoria de Justiça Criminal de Gravataí e determinou a prisão temporária de três agentes. O promotor de Justiça André Luís Dal Molin Flores sustenta que “pelo histórico da ocorrência policial e gravidade do fato, há sérios indícios de que os policiais civis do Paraná não possuíam autorização para estar na cidade, não apresentaram argumentos convincentes sobre o episódio, e, possivelmente, tenham deturpado a seu favor os acontecimentos”.

Bookmark and Share