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Operação investiga movimentação de R$ 1,4 bilhão em lavagem de dinheiro do tráfico

Cocaína vinda da Bolívia era enviada ao Rio Grande do Sul

Operação investiga movimentação de R$ 1,4 bilhão em lavagem de dinheiro do tráfico
Operação investiga movimentação de R$ 1,4 bilhão em lavagem de dinheiro do tráfico Foto : Polícia Federal / Divulgação / CP
Uma rota internacional de narcotráfico que incluía o Rio Grande do Sul foi desarticulada ao amanhecer desta quinta-feira pela Polícia Federal de Porto Alegre ao deflagrar a operação Planum. Houve 21 prisões durante o cumprimento de 23 mandados de prisão e 40 de busca e apreensão e de ordens judiciais para sequestro e bloqueio de 13 imóveis, duas fazendas, oito aeronaves, seis embarcações, 81 veículos e caminhões, e 178 contas bancárias de pessoas jurídicas e físicas com saldos estimados em mais de R$ 25 milhões. A ação, que mobilizou cerca de 200 agentes, ocorreu no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás.

Segundo informações da investigação, uma organização criminosa teria movimentado nos últimos três anos R$ 1,4 bilhão para lavar recursos obtidos com o comércio de entorpecentes. 

No RS, os policiais federais estiveram em Cachoeirinha, Capão do Cipó, Estância Velha, Gravataí, Itaqui, Novo Hamburgo, Palmares do Sul, Tramandaí e Uruguaiana, registrando dez prisões. As investigações começaram em junho de 2017. A Polícia Federal apurou que grandes quantidades de cocaína pura, em média meia tonelada, vindas da Bolívia, ingressava no país em pequenos aviões que depois partiam do Mato Grosso do Sul até o Rio Grande do Sul, onde pousava em fazendas no Litoral Norte. Depois, o carregamento de droga seguia por via rodoviária para outros estados onde permaneciam em depósitos antes de serem enviados à Europa.

O pagamento das transações ilícitas era realizado no exterior por doleiros estabelecidos em São Paulo. Ao longo do trabalho investigativo, os policiais federais efetuaram várias prisões para a obtenção de provas. Um dos flagrantes ocorreu no terminal portuário de Navegantes, em Santa Catarina, no dia 6 de maio de 2016, quando 811 quilos da droga, escondidos em blocos de granito, foram localizados pela Receita Federal em contêineres que seriam despachados para a Espanha. Em outra apreensão, ocorrida em 23 de junho passado, a Polícia Federal flagrou 448 quilos da droga escondidos em um bloco de concreto, em um caminhão que trafegava pelo município de Unistalda, no Rio Grande do Sul.

A movimentação de mais de duas toneladas de cocaína pela organização criminosa já foi comprovada. Conforme a Polícia Federal, a análise de dados bancários e fiscais e informações compartilhadas pela Polícia Civil após a prisão de um traficante e de alguns dos investigados na operação Planum em uma residência em Tramandaí, em 10 de agosto de 2017, possibilitaram o rastreamento do fluxo financeiro do grupo criminoso.

A investigação apontou ainda para a existência de um “banco informal” responsável pela lavagem de dinheiro ilícito. A movimentação dessa “instituição financeira” clandestina foi de aproximadamente R$ 1,4 bilhão nos últimos três anos. Cerca de 90 empresas de fachada e 70 pessoas empregadas como “laranjas” para a operacionalização da lavagem de dinheiro e operações de câmbio ilegais foram identificadas pelos agentes.