Polícia

Operação na Região Metropolitana impõe nova baixa a grupo responsável por morte de detento na Pecan

Quatro suspeitos foram presos, sendo dois deles apontados como assassinos de facção

Ação teve como alvo suspeitos de homicídios na Região Metropolitana
Ação teve como alvo suspeitos de homicídios na Região Metropolitana Foto : Polícia Civil

Integrantes da facção responsabilizada pela morte de um detento na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan) 3 foram alvo da Polícia Civil. Nesta terça-feira, os agentes cumpriram duas ordens de prisão preventiva e 15 mandados de busca em Gravataí, Cachoeirinha, Canoas e São Leopoldo. Quatro pessoas foram presas, sendo duas em flagrante por tráfico e porte ilegal de armas.

Intitulada Operação Visitatio Fatalis, a ação é mais uma medida para desarticular e punir a quadrilha que orquestrou o assassinato do presidiário de alcunha Nego Jackson, no final de novembro. A ofensiva decorreu de investigações da Delegacia de Homicídios de Gravataí, sob o comando do delegado Edimar Machado.

“As ordens judiciais foram expedidas como uma forma de desarticular parte da estrutura da organização criminosa, principalmente os faccionados responsáveis por homicídios na Região Metropolitana, além de mandantes que se encontram no sistema carcerário”, disse Edimar Machado.

Dois dos alvos presos hoje são apontados como assassinos de facção. Isso não impediu que um deles, conhecido como Tamagotchi, saísse do sistema prisional por “comportamento plenamente satisfatório”, conforme uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Protocolo contra homicídios

Conforme o diretor do Departamento de Homicídios (DHPP), delegado Mario Souza, o protocolo de enfrentamento a homicídios da Polícia Civil foi instaurado contra a quadrilha. A estratégia tem como base a teoria da dissuasão focada, que visa influenciar criminosos para que não cometam delitos contra a vida, combinando a aplicação da lei com medidas como a asfixia financeira de facções e transferência de presos.

O criador da metodologia foi o criminologista norte-americano David Kennedy. Professor da Universidade de Nova York, ele foi o responsável por aplicar a teoria nos Estados Unidos, tendo como principal exemplo Boston, onde houve redução brusca de homicídios em meados dos anos 1990.

Como foi a execução de Nego Jackson

Nego Jackson foi morto a tiros dentro da Pecan 3. Ele teria sido emboscado por outros dois detentos enquanto ocorria uma conferência, que é checagem de presos, na ala de triagem.

A conferência ocorre separadamente, uma cela por vez. A porta é aberta, quem está recolhido vai ao corredor da galeria e, após averiguação, volta para dentro do recinto. Na Pecan, os policiais penais coordenam o processo de um piso superior, vigiando detentos por um chão gradeado.

De acordo com a investigação, Jackson estava na cela de número 8. Logo a frente, na cela de número 7, que fica do outro lado do corredor, havia Sapo e um jovem de 21 anos.

Após passar por conferência e antes de voltar para a cela, Sapo teria ido até a porta de Jackson para chamá-lo. Ele supostamente alegava querer apaziguar divergências.

Jackson teria ficado próximo à entrada da cela, onde conversaria através de uma portinhola aberta. Foi então que surgiu um terceiro detento, o colega de cela de Sapo, armado.

O jovem teria inserido a arma através da portinhola. Foram efetuados 12 disparos. Uma pistola calibre 9 milímetros foi apreendida. Não é descartado que a arma tenha sido enviada por um drone.

A suspeita é que Sapo teria chamado o rival na intenção de atraí-lo à porta da cela. Isso porque, quando o atirador chegou, Jackson estava próximo da portinhola aberta, sendo um alvo fácil. O plano seria atrair e distrair a vítima, para que o atirador não errasse os tiros.