Em 45 dias de investigação, a Polícia Civil interceptou 2 mil ligações entre detentos e traficantes que estavam em liberdade. Com as escutas telefônicas, foi possível descobrir como funcionava o esquema. Segundo o chefe da seção de investigação da Delegacia de Polícia de Canela, Jackson Castro, o grupo colocava drogas no presídio de diferentes maneiras. Na primeira tentativa registrada, maconha foi atirada pelo muro da prisão. No entanto, a droga caiu na passarela de ronda ao invés do pátio e o pacote com 37 gramas foi apreendido.
Depois, o grupo contratou uma mulher para levar crack até os detentos. “Nas escutas, descobrimos que ela fazia o mesmo nos presídios de Osório e Caxias do Sul e que foi contratada para atuar em Canela. Em Osório, ela admitiu entrar com 250 gramas de cocaína por semana”, relata Castro.
Apesar do grampo telefônico, os agentes não conseguiram encontrar droga com a acusada através da revista pessoal. “Ela passou por revista minuciosa e nada foi localizado, mas nas escutas ficou comprovado que a encomenda tinha chegado ao destino”, justifica o delegado. Segundo ele, eram os presos que comandavam o esquema. “Eles determinavam de quem era para comprar a droga e solicitaram a contratação da mulher para fazer as entregas. Além de comprar droga para consumo próprio, adquiriam para revender para outros detentos”, detalha Castro.
Além da mulher, o delegado Luís Rogério Carvalho de Lima, que chefiou as investigações, solicitou a prisão temporária do suspeito de fornecer as drogas e do homem que fez contato com a acusada para que ela realizasse a entrega. Os agentes localizaram, ainda, 100 gramas de crack enterrada na casa do traficante na Vila Dante, periferia de Canela.