Polícia

Operação do MP mira guerra entre PCC e CV no interior de São Paulo

Mandados de busca e apreensão também miram tentáculos internacionais do crime organizado

O Ministério Público de São Paulo deflagrou a Operação Keravnos. O objetivo da ação é desarticular lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) - as principais facções do crime organizado no País -, que estão envolvidas em uma sangrenta disputa territorial nas regiões de Piracicaba, Limeira, Araras e Rio Claro, no interior paulista.

A operação, que contou com apoio da Polícia Militar, saiu às ruas para cumprir mandados de busca e apreensão, expedidos pela Vara Criminal da Comarca de Araras, em endereços ligados a pessoas suspeitas de atuar na 'Rota Caipira' do tráfico de drogas. No itinerário do crime, entorpecentes saem da fronteira de países produtores como Bolívia, Colômbia e Peru, além do Paraguai, entram no Brasil pelos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e atravessam o interior de São Paulo, com destino a portos e aeroportos do Sudeste, como o Porto de Santos, para distribuição nacional e internacional.

Endereços nos municípios de Piracicaba, Rio Claro, Limeira, Santa Bárbara d’Oeste, Americana, Leme, Engenheiro Coelho e Hortolândia estavam na mira dos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco - unidade do MP que atua no combate a facções. O objetivo principal da ação, de acordo com o Gaeco, é a apreensão de armas, munições, drogas e dispositivos eletrônicos que possam fornecer provas adicionais sobre a estrutura hierárquica e os planos de ataque das facções envolvidas no conflito.

Entre os alvos da Keravnos estão indivíduos apontados como lideranças regionais (conhecidos entre os bandidos como 'jets') e criminosos de alta periculosidade que se encontravam foragidos do sistema prisional. 'A Justiça autorizou ainda a quebra do sigilo de dados telemáticos dos aparelhos apreendidos, medida considerada essencial para interromper o fluxo de ordens de execução, conhecidas como ‘salves’, emitidas pelas cúpulas das organizações', informou o Ministério Público. ‘

Conforme a investigação do Gaeco, o conflito entre as duas maiores facções do País teve início em 2022, quando o Comando Vermelho tentou ocupar pontos de venda de drogas controlados pelo PCC no interior de São Paulo, o que desencadeou uma 'guerra urbana' na região. O monitoramento policial identificou que o conflito entre faccionados incluiu execuções com o uso de fuzis, assassinato de lideranças, carbonização de corpos e uma chacina, em represália a mortes de aliados de um dos grupos. O material apreendido, que incluiu armas, computadores e explosivos, será analisado pelo Centro de Apoio à Execução (CAEx) do MP.

O MP e as Polícias Civil e Federal já haviam detectado a presença do CV na região de Americana, Santa Bárbara D’Oeste, Araras e Rio Claro, no interior, expulsando o PCC da região. A atuação de criminosos ligados à facção carioca também já foi constatada em São José dos Campos e em Ubatuba e Caraguatatuba, no litoral norte. Entre as investigações está uma da Delegacia da PF de Campinas, que revelou a existência de uma fábrica clandestina em Santa Bárbara d’Oeste, que podia produzir até 3,5 mil fuzis por ano. Dois bandidos foram presos. Cerca de 40 dessas armas foram apreendidas, além de 30 mil peças.