O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) deflagrou, na manhã desta quinta-feira, a Operação Engrenagem Oculta para desarticular um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos de manutenção da frota da Prefeitura de Viamão. As investigações apontam a participação de agentes públicos, empresários do setor de gestão e manutenção veicular e proprietários de oficinas credenciadas em um esquema de direcionamento de serviços, superfaturamento de peças e reparos, pagamento de propinas e lavagem de dinheiro.
Ao todo, foram cumpridos 54 mandados de busca e apreensão no Rio Grande do Sul e no Paraná. A Justiça também determinou o afastamento cautelar de cinco agentes públicos municipais, entre eles dois secretários, além do sequestro de 52 veículos avaliados em R$ 5,1 milhões e da indisponibilidade de outros 103 veículos e 39 imóveis.
A operação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e coordenada pela promotora de Justiça Maristela Schneider. Conforme o MPRS, o esquema envolvia recursos de um contrato firmado em 2023, ainda em vigor, que já recebeu aproximadamente R$ 43,1 milhões dos cofres públicos.
Segundo as apurações, veículos da frota municipal eram encaminhados para oficinas previamente escolhidas, onde os orçamentos eram manipulados para elevar os custos das manutenções. Também foram identificadas cobranças por serviços desnecessários ou que sequer teriam sido executados.
De acordo com a promotora Maristela Schneider, um dos casos analisados chamou atenção pelo volume de gastos. “Um veículo avaliado em R$ 168,4 mil, acumulou R$ 195,4 mil em manutenções em apenas seis meses, sendo enviado 17 vezes para reparos no período. Ou seja, a Prefeitura gastou 116% do valor do bem em consertos em um curto espaço de tempo, quando seria mais econômico adquirir um veículo novo”, destaca.
As investigações também identificaram indícios de pagamento de propinas a agentes públicos. Conforme o MPRS, os repasses teriam sido feitos por meio de transferências bancárias, Pix e utilização de pessoas interpostas para ocultar a origem e o destino dos valores.
Ao todo, 54 pessoas físicas e jurídicas são alvo da operação, entre agentes públicos municipais, empresários do setor de gestão e manutenção de frotas e responsáveis por oficinas credenciadas.
A Operação Engrenagem Oculta mobilizou 12 promotores de Justiça do MPRS, três promotores do Ministério Público do Paraná, 68 servidores do Ministério Público gaúcho e 132 policiais militares da Brigada Militar.
O Correio do Povo busca contato com a Prefeitura de Viamão. O espaço permanece aberto para manifestação.