A Operação Mulher Segura prendeu 241 suspeitos de violência doméstica durante o mês de junho no Rio Grande do Sul. O balanço foi apresentado na manhã desta quinta-feira pela Polícia Civil e Brigada Militar, que atuam de forma integrada na iniciativa, voltada ao enfrentamento da violência contra a mulher e à prevenção de feminicídios. A operação, iniciada em 1º de junho, seguirá até o último dia do ano.
Conforme os dados divulgados, foram realizadas 894 abrangências operacionais, 2.775 diligências, 148 prisões em flagrante e o cumprimento de 93 mandados de prisão preventiva ou temporária. No período, 2.403 vítimas receberam atendimento e foram promovidas 3.442 ações educativas em escolas, empresas e outros espaços.
Durante a apresentação, a diretora da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher (Dipam), delegada Waleska de Viana Alvarenga, ressaltou que a operação reforça o trabalho permanente desenvolvido pelas Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (Deams). "Nossa divisão faz um trabalho árduo e ininterrupto. Todos os dias pensamos em como evitar feminicídios e diminuir esses índices", afirmou.
Segundo a delegada, a Operação Mulher Segura reúne as 25 Deams do Estado e conta com recursos da União, destinados ao pagamento de diárias para reforço das equipes, além de investimentos do governo estadual voltados ao enfrentamento da violência contra a mulher.
Waleska destacou que o número de prisões demonstra o fortalecimento da repressão aos agressores, mas reforçou que o foco também permanece na prevenção. "Os números mostram que atuamos nos dois eixos. No preventivo, com conscientização e palestras em empresas, escolas e redes sociais, mas também temos prendido mais. Somente em Porto Alegre foram 34 prisões neste mês", disse.
Ela ressaltou ainda que, diferentemente de outras operações, os mandados relacionados à violência doméstica não podem aguardar datas específicas para cumprimento. "No âmbito da violência doméstica e familiar contra a mulher, não podemos represar mandados para cumprir em um único dia. A vida daquela mulher está em risco. Todos os dias os delegados cumprem mandados de prisão e de busca e apreensão", afirmou.
A delegada também chamou atenção para um dado observado pela Polícia Civil, de que muitas vítimas de feminicídio nunca haviam procurado ajuda antes do crime. "Vimos que a maioria das mulheres que têm morrido nunca acessou a rede de proteção, nunca registrou ocorrência. Então estamos agindo para alcançar essa mulher antes que a violência evolua", destacou.
O diretor do Departamento de Proteção a Grupos Vulneráveis (DPGV), delegado Juliano Brasil Ferreira, afirmou que o trabalho conjunto entre as instituições tem sido fundamental para ampliar a efetividade das ações. "Essa integração demonstra que estamos unidos nesse combate à violência doméstica. Foram centenas de ações durante os 30 dias de junho, cumprindo mandados e medidas protetivas, sempre com foco em combater a violência doméstica e, de forma indireta, reduzir o número de feminicídios", afirmou.
A subchefe da Polícia Civil, delegada Patrícia Tolotti Rodrigues, também destacou que a operação ocorre em âmbito estadual e reforça a atuação integrada entre Polícia Civil e Brigada Militar no enfrentamento à violência contra a mulher.
Pela Brigada Militar, a capitã Brenda Alves informou que a operação mobilizou efetivos de 23 comandos regionais, com reforço às Patrulhas Maria da Penha nos municípios a partir de uma distribuição baseada em indicadores de violência.
Segundo ela, mais de 400 policiais militares e mais de 200 viaturas participaram das ações ao longo de junho, além da realização de mais de 200 atividades educativas.
Já a capitã Betina Gausmann Oliveira explicou que a corporação priorizou o envio de policiais capacitados no atendimento às vítimas para reforçar as patrulhas do interior do Estado. "Observamos um aumento superior a 40% nos atendimentos realizados nos municípios que receberam esse reforço", afirmou.
Os dados da Brigada Militar já haviam sido divulgados na terça-feira. Conforme o levantamento, as equipes fiscalizaram 630 Medidas Protetivas de Urgência (MPUs), confeccionaram 876 boletins de atendimento, registraram 13 comunicações de ocorrência policial e prenderam um suspeito em flagrante por descumprimento de medida protetiva. Também foram promovidas campanhas de conscientização e palestras voltadas à prevenção da violência contra a mulher.
A Operação Mulher Segura segue até 31 de dezembro com ações de repressão qualificada, fiscalização de medidas protetivas e fortalecimento da rede de proteção às mulheres em todas as regiões do Rio Grande do Sul.