A Polícia Civil prendeu em flagrante dois empresários durante a Operação Storm, deflagrada em Ivoti, no Vale do Sinos, na manhã de sexta-feira. A investigação da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Esteio, apura um esquema de armazenamento e compartilhamento de material de abuso e exploração sexual infantil na internet.
Coordenada pela delegada Luciane Bertoletti, a operação cumpriu três mandados de busca e apreensão em endereços identificados durante a fase de inteligência. A ação contou com o apoio da Delegacia de Polícia de Ivoti.
Segundo a Polícia Civil, o setor de inteligência monitorou os investigados de forma ininterrupta durante três meses. Nesse período, as investigações cibernéticas comprovaram que os suspeitos utilizavam redes compartilhadas para realizar o download sistemático de arquivos contendo pornografia infantil, abastecendo o mercado clandestino desse tipo de crime.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, peritos do Instituto-Geral de Perícias (IGP) localizaram vasto material de pornografia infantojuvenil. Foram apreendidos computadores, notebooks, smartphones, pendrives e HDs externos utilizados para armazenar os arquivos ilícitos.
Preliminarmente, os investigadores contabilizaram mais de 100 terabytes de material pornográfico, incluindo conteúdo adulto, pornografia infantojuvenil e também arquivos de conteúdo sexual envolvendo animais.
Os dois presos tem 64 e 47 anos. Os dois não tiveram os nomes revelados, mas conforme a Polícia Civil, são empresários e sócios proprietários de grandes empresas. Embora atuem em negócios distintos, as investigações apontaram que ambos mantêm ligações comerciais.
Conforme apurado pelo Correio do Povo, o mais velho é integrante de uma das mais tradicionais famílias do ramo calçadista no Estado, especialmente nas regiões do Vale do Sinos e Paranhana. Já o outro seria um empresário do ramo de matrizes e componentes para calçados.
Material passará por perícia
Após as apreensões, os equipamentos eletrônicos serão submetidos à perícia do Instituto-Geral de Perícias. O objetivo é quantificar o volume de arquivos baixados e verificar se os investigados apenas armazenavam o material ou também realizavam o compartilhamento e, eventualmente, a produção de conteúdo criminoso.
Os empresários responderão pelos crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A pena para quem armazena ou realiza o download desse tipo de material varia de um a quatro anos de reclusão, podendo ser significativamente ampliada caso fique comprovado o compartilhamento dos arquivos com outros usuários.
A delegada Luciane Bertoletti destacou a relevância da ação. “O combate à pedofilia e aos crimes de exploração sexual é uma das prioridades da Deam Esteio. Não estamos diante de delitos comuns. São crimes que deixam marcas profundas, comprometem o desenvolvimento das vítimas e atingem toda a nossa sociedade”, disse.
Já o delegado regional de Canoas, Cristiano Reschke, ressaltou que as empresas não possuem qualquer envolvimento com os crimes investigados. “Tratam-se de condutas criminosas individuais e autônomas. Estamos diante de uma prática odiosa que fere de morte a dignidade humana e macula a inocência de crianças de forma irreversível. Esses criminosos, muitas vezes agindo sob uma fachada de respeitabilidade social e sucesso econômico, alimentam um ciclo de abuso que destrói vidas e deixa traumas profundos que acompanham as vítimas por toda a existência. A operação de hoje é um recado claro: a Polícia Civil não tolerará que a tecnologia seja usada como escudo para a perversão. Retiramos de circulação indivíduos que, com sua mediocridade, sustentam esse mercado clandestino de dor, e seguiremos intensificando o combate à exploração infantil, independentemente do status social ou econômico dos envolvidos”, afirmou.