Com indícios da participação do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), a Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal, deflagrada nesta sexta-feira, 27, levou a uma forte reação da oposição na Câmara Legislativa do DF. Em reunião de bancada marcada para esta noite, os deputados distritais do PT na Câmara Legislativa do DF devem discutir, entre outras providências, a possibilidade de pedido de impeachment do governador.
"Havendo realmente a materialidade das provas, é caso de impeachment do governador", disse a líder do PT na Câmara Legislativa, Erika Kokay, referindo-se às informações de que a participação de Arruda no esquema teria sido registrada em vídeo pelo secretário de Relações Institucionais do DF, Durval Barbosa.
Ex-policial, Durval trabalha há meses com equipamento de escuta sob as roupas e conseguiu captar diversas conversas que baseiam o inquérito sob coordenação do juiz Fernando Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Numa das conversas, Arruda diz a Durval para entregar R$ 400 mil a Maciel (José Geraldo Maciel, Chefe da Casa Civil do governo do DF), para pagamento da "base aliada". O dinheiro teria como origem empresas fornecedoras do governo do DF.
A deputada informou ainda que irá propor um processo de investigação "profundo" das supostas irregularidades, tanto no que diz respeito aos parlamentares, quanto no âmbito do executivo. Além de Arruda, parlamentares, secretários de governo e empresas fornecedoras da administração do DF, num total de 16 pessoas físicas e jurídicas, estão sob investigação da PF. "Dessas 16 pessoas, só quatro são parlamentares", destacou a deputada.
A lista dos deputados distritais investigados inclui o presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente (DEM), Eurides Britto da Silva (PMDB), Rogério Ulisses Telles de Mello (PSB) e Marcos Dias, conhecido como Pedro do Ovo (PRP). Com relação a punição dos parlamentares, Erika explica que há um procedimento padrão descrito no Código de Ética da Câmara.
Mas mais do a que responsabilização dos deputados, a prioridade de Erika é a instalação de uma CPI. Segundo ela, se confirmado o pagamento de propina pelas empresas a secretários do governo e parlamentares, é possível que haja mais irregularidades para serem apuradas.
"Se é uma prática do poder executivo, a corrupção pode não estar restrita apenas ao que já foi apurado pela Polícia Federal. Então cabe que se faça uma CPI da probidade administrativa para que se possa investigar as estruturas", disse a deputada em entrevista ao estadao.com.br, que acrescentou haver "indícios ou comportamentos estranhos do governo em várias áreas".
Oposição no DF analisa pedir o impeachment de Arruda
Bancada do PT quer apurar responsabilidades do governador em esquema de corrupção