O modo como o campeonato é realizado surpreendeu as autoridades. Segundo o chefe de fiscalização do Ibama/RS, Régis Fontana Pinto, a competição na modalidade “Fibra” consiste em colocar as gaiolas com os animais lado a lado em uma arena. Pelo instinto de disputa de território ou de fêmeas, as aves começam a cantar. O vencedor era o pássaro que restava cantando no final, depois que os demais extenuados e estressados ficavam quietos. A competição pode durar horas.
No treinamento das aves vale até deixá-las em salas escuras, com som elevado de caixas de som, para que “aprendam” os cantos. Elas também podem ser treinadas ao seres colocadas ao lado de outros exemplares. As 15 prisões no local foram efetuadas devido à descoberta da falsificação ou adulteração de selo ou sinal público nos animais presentes no torneio, chamadas de anilhas de identificação, além do emprego de espécimes da fauna silvestre sem a devida permissão da autoridade competente.
De acordo com a analista ambiental do Ibama/RS, Fernanda Rauber, a competição em si é legal devido às brechas na atual legislação, mas o fato da presença de anilhas falsificadas nas aves encontradas é que o tornou irregular.
Os pássaros recolhidos poderão ou não retornar à natureza, após passarem por uma triagem e um processo de observação no Ibama/RS. Se tiverem de permaneceram, em cativeiros, os mesmos serão encaminhados para criadores conservacionistas cadastrados no órgão federal. O Ibama atende denúncias pelo telefone gratuito 0800-61808.
Na ação foram apreendidas 57 aves, sendo cardeais e trincas-ferros, das quais 46 foram recolhidas para a sede regional do Ibama em Porto Alegre e as demais ficaram com fiéis depositários. Além disso, foram aplicadas 30 autuações com multas no valor total de R$ 65,5 mil. A associação também foi autuada e teve suas atividades de promoção de torneios de canto embargadas.