Polícia

Pai acusado de matar os quatro filhos em Alvorada decide manter silêncio durante interrogatório

Homem de 31 anos contrariou expectativas da defesa e decidiu não falar em segundo dia de júri na Região Metropolitana

Momento em que réu informa juiz que permanecerá em silêncio
Momento em que réu informa juiz que permanecerá em silêncio Foto : TJRS / CP

O homem de 31 anos acusado de matar os quatro filhos em Alvorada, na Região Metropolitana, decidiu permanecer em silêncio nesta quarta-feira durante o segundo dia do Tribunal de Júri no município. A atitude contraria as informações divulgadas anteriormente pela defesa, que havia dito que ele falaria em interrogatório. Ao longo da tarde, ocorrerá a fase de debates.

Na terça-feira, a advogada Thais Constantin, que defende o réu, tinha manifestado expectativas que o homem poderia falar em juízo. Por escolha própria, no entanto, ele resolveu não falar. A imprensa não foi autorizada a registrar imagens do acusado.

O segundo dia de júri começou com o depoimento do tio do homem. Ele descreveu o sobrinho como reservado e “na dele", adicionando que o réu foi diagnosticado com esquizofrenia. O familiar também disse que o acusado ficada pouco com as crianças.

Foi ouvido também um depoente que não tinha relação com o réu, mas que entregou o celular dele aos policiais na época do crime. O acusado, que havia deixado o telefone carregando em um estabelecimento comercial quando fugiu, disse que ele aparentava brigar com a ex-companheira durante uma ligação.

Por fim, uma perita judicial foi ouvida em plenário. A participação dela ocorreu sem a presença do público, apenas com familiares, por conta do sigilo médico.

O julgamento é presidido pelo juiz Marcos Henrique Reichelt, da 1ª Vara Criminal Especializada em Júri da Comarca de Alvorada. O Conselho de Sentença é formado por quatro juradas e três jurados. Foram ouvidas sete testemunhas de acusação e quatro de defesa.

O crime ocorreu no dia 13 de dezembro de 2022. As vítimas são os irmãos Yasmin, 11 anos, Donavan, 8, Giovanna, 6, e Kimberlly, 3 anos. Três das crianças foram atingidas com golpes de faca, a mais nova tinha marcas de asfixia.

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De acordo com o Ministério Público, o réu teria praticado os crimes para se vingar da mãe das vítimas, com quem teve um relacionamento de 11 anos. O casal estava separado a três meses e, segundo a acusação, o homem não aceitava o término. Ele foi preso um dia após os fatos, em um hotel, no Centro de Porto Alegre.

O denunciado responde por quatro homicídios triplamente qualificados. As agravantes são motivo torpe, meio cruel e crimes praticados contra menores de 14 anos.

Conforme a Polícia Civil, a mãe das crianças tinha medida protetiva contra o acusado. Ao ser preso, ele teria admitido informalmente a autoria dos crimes. Depois, em juízo, preferiu ficar em silêncio.