Polícia

Pai atira no filho e tenta suicídio em Cachoerinha

Ambos sobreviveram, apesar de terem sido feridos a balas em ambas as cabeças

Pai atira no filho e tenta suicídio em Cachoerinha
Pai atira no filho e tenta suicídio em Cachoerinha Foto : Antônio Sobral
Mais um crime familiar choca policiais militares e civis, ocorrendo desta vez em Cachoeirinha. Na manhã de hoje, um pai atirou no filho e depois em si próprio no interior da residência localizada na rua Aimoré, no bairro Vista Alegre. Ambos não morreram apesar da gravidade dos ferimentos em ambas as cabeças, sendo internados no hospital local.

Por volta das 8h20min, o servidor público estadual aposentado Valdo da Silva Melo, de 85 anos, pegou seu antigo revólver calibre 32 e, amparado por uma muleta que usa desde uma cirurgia, foi até a cama do filho, Luis Carlos de Melo, de 54 anos, portador de necessidades especiais e que vive em uma cadeira de rodas. Ele atirou duas vezes no filho e depois efetuou um disparo contra um dos ouvidos. "Encontramos ele sentado em estado de choque em uma cadeira, com o sangue escorrendo, a arma no chão e, ao lado, o filho baleado na cama", revelou o sargento Rinaldo e o soldado Gledson, da viatura 6508 do 26º BPM, que foram até a casa após telefonema de vizinhos que ouviram os disparos e acionaram o 190 da BM.

Enquanto estavam sendo socorridos pela equipe do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), Valdo da Silva Melo permanecia consciente e justificou aos policiais militares que o objetivo de seu ato era acabar com o sofrimento dele e do filho. O aposentado queixou-se ainda do abandono da família e lembrou que passaram sozinhos o Natal e Ano Novo. "Ele perdeu a esposa há cerca de nove anos, ficando apenas com o filho na cadeira de rodas", observou o sargento Rinaldo. Segundo o policial militar, a arma e a munição estavam velhas e, por isso, o tiro no ouvido do aposentado não penetrou, ao contrário do que aconteceu com o filho, que levou dois disparos e teve graves ferimentos.

Ao saber da notícia que surpreendeu a vizinhança na rua Aimoré, a dona de casa Vilma dos Santos Dapper, de 71 anos, foi até a residência, que estava fechada. Abalada, ela contou que, com ajuda de um filho, cuidava tanto do pai como do filho há cerca de três anos. "A gente dava banho, fazia barba, levava para atendimento médico e até levantava a cadeira de rodas caída com o filho dele", recordava em frente da moradia. Vizinhos disseram que o aposentado, antes do crime, teria desabafado dentro de um mercado próximo sobre o ódio que sentia pela vida que levava junto com o filho. "Acho que ele quis acabar com o sofrimento", imaginava a dona de casa. A ocorrência foi registrada na 2ª DP de Cachoeirinha. Agentes da equipe volante da Delegacia de Polícia Regional Metropolitana compareceram ao local do crime, que ficou isolado para a perícia do Departamento de Criminalística (DC).