Polícia

Pai e filho são presos por suspeita de integrar grupo de tortura de facção criminosa na Fronteira Oeste

Agressões foram gravadas e enviadas aos líderes da organização como prova do cumprimento da ordem

Vítima foi agredida com chutes, coronhadas e golpes desferidos com um cabo de madeira
Vítima foi agredida com chutes, coronhadas e golpes desferidos com um cabo de madeira Foto : Polícia Civil / CP

Com uma pistola em uma das mãos, um sarrafo de madeira na outra e um revólver na cintura, um homem agride uma vítima ajoelhada, desferindo coronhadas, golpes com a madeira e chutes na cabeça. Ao final da gravação, a cabeça da vítima é puxada para trás enquanto uma pistola é apontada contra ela.

As imagens, divulgadas pela Polícia Civil, fazem parte da investigação que resultou na prisão preventiva de pai e filho, suspeitos de integrar o chamado "setor de disciplina" de uma facção criminosa em Rosário do Sul, na Fronteira Oeste.

As prisões foram cumpridas na tarde de terça-feira por agentes da Delegacia de Polícia de Rosário do Sul, com apoio da Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam) da Brigada Militar. Os suspeitos têm 41 e 20 anos.

Segundo a investigação, a dupla é responsável por executar punições determinadas pela organização criminosa, incluindo cobranças de dívidas e ordens de eliminação de integrantes de grupos rivais.

As apurações apontam que, em junho, os investigados foram até o município de São Gabriel para torturar um integrante da própria facção que estaria com pendências junto ao grupo. Toda a ação foi filmada e enviada aos líderes da organização criminosa para comprovar que a determinação havia sido cumprida.

Nas imagens analisadas pela Polícia Civil, além do agressor principal, outros homens aparecem rapidamente participando da ação. A vítima permanece ajoelhada durante praticamente toda a gravação, sendo submetida a agressões físicas e ameaças com arma de fogo.

Para o delegado Daniel Severo, responsável pela investigação, o caso demonstra o grau de violência empregado pelas organizações criminosas. "A prática da tortura como instrumento de controle interno evidencia o elevado grau de violência empregado por essas organizações. Que os jovens que pretendem fazer uma vida no mundo do tráfico saibam que é isso que os aguarda: ou acabam presos, ou torturados, ou ambas as coisas”, disse.

Severo também ressaltou a continuidade das investigações. “A Polícia Civil seguirá atuando de forma firme para identificar e responsabilizar todos os envolvidos, especialmente aqueles que determinam e executam crimes dessa natureza", afirmou.

Após os procedimentos, os dois presos foram encaminhados ao sistema prisional, onde permanecem à disposição da Justiça.

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