Polícia

Pai que jogou filho de 5 anos de ponte no RS é condenado a 83 anos de prisão

Théo Ricardo Felber foi arremessado ainda vivo de uma ponte sobre o Rio Vacacaí, em São Gabriel, em março de 2025

Sentença foi proferida pela juíza Liz Grachten por volta das 23h, após quase 14 horas de trabalhos em plenário
Sentença foi proferida pela juíza Liz Grachten por volta das 23h, após quase 14 horas de trabalhos em plenário Foto : MPRS / CP

Tiago Ricardo Felber foi condenado a 83 anos e 4 meses de reclusão e a mais dois meses e 20 dias de detenção pela morte do próprio filho, Théo Ricardo Felber, de 5 anos, em São Gabriel, na região da Campanha. A decisão foi tomada pelo Tribunal do Júri na quarta-feira, pouco mais de um ano após o crime que chocou o Estado. A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado, e a Justiça determinou a execução imediata, mantendo o réu preso.

Os jurados acolheram integralmente a acusação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) e condenaram Felber por tentativa de homicídio qualificado, homicídio qualificado consumado e ameaça contra a ex-companheira, mãe da criança. Também foi determinada indenização mínima de R$ 100 mil aos familiares de Théo.

O julgamento foi presidido pela juíza Liz Grachten e terminou por volta das 23h, após quase 14 horas de trabalhos em plenário. Durante a sessão, foram ouvidas a mãe do menino, testemunhas de acusação, da assistência e da defesa, além do interrogatório do réu.

Réu admitiu agressão e morte do filho

Conforme a denúncia, Théo foi agredido pelo pai na noite de 24 de março de 2025. No dia seguinte, ainda vivo, foi arremessado de uma ponte sobre o Rio Vacacaí, de uma altura aproximada de 15 metros. O laudo pericial apontou traumatismo cranioencefálico decorrente da queda como causa da morte.

Durante o interrogatório em plenário, Felber admitiu que apertou o pescoço do menino na noite anterior e que, no dia seguinte, o jogou da ponte. Ao ser questionado pela juíza, afirmou não saber explicar por que agiu daquela maneira.

A acusação sustentou que o crime foi cometido para causar sofrimento à mãe da criança, em razão do descontentamento do réu com o novo relacionamento dela após o fim da relação entre os dois.

Durante o julgamento, a mãe de Théo relatou o relacionamento com o réu e a relação do menino com o pai. Em depoimento, afirmou que a criança confiava nele e que não considerava justo afastá-la completamente do convívio paterno.

A mulher disse, também, que não acreditou quando soube da morte do filho e que entende que o crime foi cometido por vingança contra ela. Segundo ela, o nascimento de Théo havia sido planejado e era um desejo dela. "Era a minha vida", disse emocionada sobre o filho.

A acusação foi sustentada pelas promotoras de Justiça Maria Fernanda Rabelo Ramalho e Graziela Lorenzoni. “A condenação representa uma resposta firme da Justiça diante da gravidade da violência praticada contra uma criança e, sobretudo, um reconhecimento da importância da vida de Théo e da dor de sua família”, disse Maria Fernanda.

“Foi uma condenação importante pelo fato de que a morte de Théo foi um dos casos que motivaram a criação do crime de vicaricídio no Brasil”, afirmou Graziela.

A sessão foi encerrada com a leitura da sentença pela juíza Liz Grachten. Felber permanecerá preso para o cumprimento imediato da pena.

Veja Também