Por volta das 23h30min, o major Eduardo Amorin, havia divulgado um boletim oficial sobre a situação. De acordo com o oficial de Comunicação da BM, um “bom diálogo” havia sido estabelecido pelo negociador da Brigada com o autor do cárcere, um vigilante inconformado com a separação da ex-companheira.
Conforme o oficial negociador, cujo nome e patente não foram revelados, o ex-marido aparentava estar mais calmo do que nos contatos anteriores. “Este trabalho é uma questão de tempo e confiança”, declarou Amorin, assinalando a intenção da Polícia Militar gaúcha de esgotar as possibilidades de negociação antes de que uma medida mais dura possa ser assumida como solução para o drama.
Amorin também informou que o fornecimento de energia elétrica foi mantido na casa e que a negociação continuaria sendo feita por telefone celular durante toda a madrugada desta segunda-feira, com o intuito de garantir a rendição pacífica do homem e a integridade física da vítima.
No início da madrugada, o negociador da BM fez contato com a mulher e ela confirmou estar bem fisicamente e tranquila.
O caso, segundo a Brigada, teria iniciado pouco depois das 15h30min de domingo, quando o casal separado encontrou-se em um posto de combustíveis perto da entrada do bairro. Um discussão teria ocorrido até a antiga moradia do casal, onde então o homem teria decidido manter a ex-companheira na casa contra sua vontade.
Por volta das 17h, a BM foi acionada por familiares do próprio autor do cárcere. A família, que habita uma casa no mesmo pátio onde acontece o sequestro, foi removida por segurança. O local foi isolado. Viaturas da Brigada, Bombeiros e do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) guarnecem o ambiente. Duas ambulâncias e duas equipes de socorristas estão de prontidão para eventuais emergências.
Pessoas moradoras da comunidade se alternam diante do cordão de isolamento para observar o fato inusitado, mesmo sob condição de tempo instável. Um vizinho, que pediu para ter a identidade preservada, disse que o autor do cárcere é bastante conhecido, fazia bicos pela vizinhança e não demonstrava comportamento violento com a família.
O estopim da separação, entretanto, foi a suposta descoberta e denúncia da mulher à Polícia Civil, de que o ex-companheiro molestava uma das enteadas.