O delegado responsável por investigar a morte da promotora de eventos Lívia Ulguim Marcello, de 29 anos, em uma clínica estética de Porto Alegre, afirmou nesta sexta-feira que vai desconsiderar, no inquérito, documento de praxe, assinado por pacientes submetidos a cirurgias plásticas. Para Artur Raldi, o ofício chamado pelos médicos de “Consentimento Informado”, que adverte sobre os riscos de morte em intervenções do tipo, não tem validade para isentar erros médicos. Lívia concordou com o termo antes morrer em uma cirurgia para implante de silicone.
Raldi avaliou que pessoas leigas não podem ter responsabilidade em procedimentos médicos. “Esse documento não interfere em nada na investigação. Ou houve fatalidade, ou médico e clínica são responsabilizados”.
O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) tem o mesmo entendimento sobre o tema. “O Consentimento Informado tem caráter apenas informativo e não isenta o médico em nenhum momento”, disse o corregedor da entidade, Régis Porto.
Uma sindicância foi instaurada pelo Cremers para investigar a morte. Conforme o Conselho, anualmente são protocoladas na entidade pelo menos 15 denúncias relacionadas a cirurgias plásticas ocorridas no Estado. O dono da clínica onde o óbito da promotora de eventos ocorreu, o médico Nelson Heller, afirmou que em mais 30 anos de profissão jamais havia registrado a morte de um paciente.
Para delegado, documento assinado por gaúcha que morreu em clínica estética não isenta erros médicos
Consentimento Informado alertava promotora de eventos Lívia Ulguim Marcello, de 29 anos, sobre risco de morte