O promotor Eugênio Paes Amorim revelou, na noite desta segunda-feira, que o presidente municipal do PTB em Porto Alegre, José Carlos Brack, foi acusado pelo Ministério Público (MP) de ser um dos mentores do assassinato do ex-secretário de saúde da Capital, Eliseu Santos. Especulações apontavam envolvimento do político apenas em crime de corrupção. O órgão pediu, inclusive, a prisão do dirigente do PTB, mas a solicitação foi negada pela 1ª Vara do Júri.
Depois de tornar-se réu no Caso Eliseu, Brack pediu para deixar a presidência do diretório municipal do PTB, em Porto Alegre, e também desligamento da Companhia de Processamento de Dados de Porto Alegre (Procempa), órgão onde está lotado. O partido indicou o deputado estadual Cassiá Carpes para substituí-lo. Além dele, outras dez pessoas são acusadas, duas delas ex-CCs da sigla apontados pelo MP como protagonistas de um suposto esquema de propina na Secretaria Municipal de Saúde.
O presidente estadual do PTB e pré-candidato ao Palácio Piratini Luis Augusto Lara classificou a saída de Brack do comando da sigla na Capital como "digna". "Ele tomou a decisão correta de resolver seus problemas pessoais para não misturar isso com a questão partidária", afirmou. O dirigente petebista disse não acreditar que ele tenha envolvimento com o homicídio. "Ele sempre manteve as melhores relações possíveis dentro do partido."
Entre os elementos que levaram o MP a acusar Brack no Caso Eliseu está o processo sobre o suposto esquema de propina na Secretaria por meio de contratos entre a empresa de Vigilância Reação e a Prefeitura de Porto Alegre. Dois ex-integrantes da Reação estão presos desde o mês passado, após serem apontados como integrantes da lista de mandantes do assassinato de Eliseu. Um deles, o ex-PM Jorge Renato Hordoff de Mello, disse, em depoimento na Câmara de Vereadores, em 2009, que a propina paga para a empresa continuar prestando serviços de segurança em postos de saúde da Capital se destinava a caixas de campanha do PTB.
De acordo com dados levados ao Ministério Público, Brack mantinha uma espécie de "escritório" paralelo dentro da secretaria da Saúde. Em uma carta encaminhada aos promotores, a qual a Rádio Guaíba teve acesso com exclusividade, são mencionadas as atividades de José Carlos Brack dentro da instituição. Segundo as informações, ele agia como uma espécie de gerente de contratos emergenciais, e, através deles, supostamente desviava recursos da Saúde. Ao desconfiar de esquemas escusos, Eliseu Santos pediu ao prefeito José Fogaça o afastamento de Brack, o que acabou ocorrendo.
Um trecho da carta, escrita por uma pessoa próxima a Eliseu Santos, relata o clima de desconfiança dentro da Pasta. "Nos corredores da Secretaria, ganhava força, entre assessores diretos de Eliseu, sem vínculos com o partido, a tese de que Marco (Bernardes, assessor jurídico da secretaria da Saúde e um dos 11 denunciados pelo MP pela morte de Eliseu) agia a mando de José Carlos. Em determinada ocasião, convencido de que fora iludido por José Carlos, o secretário Eliseu o chamou e, em altos brados, queixou-se de traição e o pediu para não comparecer mais à Secretaria".
Para MP, Brack teria ajudado a planejar assassinato de Eliseu
Suspeito abandonou a presidência do PTB na Capital nesta segunda-feira