Na segunda-feira, a governadora Yeda Crusius pediu que seja elaborado um mecanismo de "auditoria" para a contagem da média de acessos e assim seja reforçada a proteção do banco de dados. Ela ainda determinou ao comando da Brigada Militar (BM) e à Companhia de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul (Procergs) que incluam no software do Sistema Integrado de Consultas um controle contínuo de acessos por senha.
Lamachia colocou a seccional à disposição de advogados que tiveram seus dados acessados pelo sargento, investigado pelo Ministério Público do Estado. O policial trabalhava na Casa Militar, que é responsável pela segurança da governadora do Estado.
Sargento teria contas pagas por contraventor
O Ministério Público do Estado (MP) pediu a quebra do sigilo das movimentações bancárias de César Rodrigues de Carvalho. Conforme o promotor responsável pelo caso, Amilcar Macedo, o policial teria as contas pagas por um contraventor.
Macedo contou que um suposto explorador de jogos de azar quitou prestações de um financiamento de veículo do sargento e até depositou dinheiro na conta da mulher do policial. Uma testemunha afirmou que outros contraventores também participavam do esquema.
A suspeita do MP é que o sargento vendia a contraventores as informações que obtinha acessando o Sistema de Consultas Integradas. O homem avisaria se algum de seus “clientes” estava sendo investigado ou se haveria alguma ação policial nas casas de jogos que seriam exploradas por ele. O MP acredita que a propina não ficava só com o policial. “Certamente dividia (o dinheiro) porque se fosse só para ele, ganhando R$ 6 mil por mês, faria uma fortuna” disse o promotor. Macedo disse que não é possível informar qual o padrão de vida do policial porque não participou da busca e apreensão realizada, na semana passada, na casa dele.
Além de acessar dados de políticos, jornalistas, policiais e advogados, Carvalho utilizaria o sistema também para verificar nomes e imagens de filhos das pessoas que tiveram suas informações pessoais violadas. Ontem, o promotor revelou ter um vídeo mostrando o policial buscando dinheiro de origem ilícita com veículo oficial da Casa Militar. O esquema pode ter começado em 2008. O sargento investigado será ouvido ainda nesta semana.