Polícia

Para promotor, "momento não é de festa" em batalhão

Recepção na volta ao trabalho dos policiais investigados por morte de torcedor do causou indignação

Recepção na volta ao trabalho dos policiais investigados por morte de torcedor do causou indignação
Recepção na volta ao trabalho dos policiais investigados por morte de torcedor do causou indignação Foto : Reprodução Facebook / CP
A confraternização promovida pela Brigada Militar de São Leopoldo devido o retorno ao trabalho dos quatro policiais militares - investigados na morte do torcedor Maicon Doglas Lima, 16 anos, no começo de fevereiro deste ano - foi recebida com “surpresa e indignação” pelo promotor Sérgio Luiz Rodrigues, da 1ª Promotoria Criminal de São Leopoldo. “Até se compreende o sentimento de apoio e solidariedade da tropa, mas o momento não é de festa. É de reflexão e repercussão do que aconteceu.”

O promotor entende que a confraternização denota “até certa indiferença em relação a dor da família” de Maicon, sentimento que não fica restrito apenas aos policiais militares, mas ao próprio batalhão, na avaliação do promotor.
Os quatro policiais militares foram soltos na última sexta-feira após a justiça mandar soltar os agentes - presos temporariamente - por não “oferecerem perigo para a ordem pública”. O promotor recorreu da decisão e explica que ainda está em fase de tramitação. “Quando nos recorremos nos alertamos que a decisão de soltar os PMs pode dar sensação de impunidade para a sociedade.”

A confraternização ocorreu na segunda-feira e foi divulgada no dia seguinte em um perfil do Facebook do batalhão. O post intitulado “retorno dos colegas”, mostra que os policiais militares foram recebidos com bolo. No texto publicado na rede social, o comandante do 25º Batalhão de Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Nélio Tedesco Sperling e um capitão, “saudaram os colegas e exaltaram o sentimento de união e de apoio, que parte tanto do Comando quanto dos colegas da unidade, salientando ainda as qualidades dos bons profissionais que todos são e do profissionalismo que sempre demonstraram nos serviços prestados enquanto servidores do 25º BPM.” Por último foi colocado no post a hastag “estamos com vocês”. A postagem foi apagada logo após a repercussão na mídia.

Para a rádio Guaíba, a corregedoria-geral da Brigada Militar garantiu não concordar com as comemorações. De acordo com o corregedor-geral da BM, tenente-coronel Jefferson Jacques, a ação não representa uma postura adequada para o caso.

Repercussão na Assembleia

A recepção aos policias militares também repercutiu na sessão plenária da Assembleia Legislativa, na tarde de ontem. O deputado estadual Pedro Ruas (PSol) criticou a forma festiva com a qual os PMs foram recebidos no batalhão. “Recebidos com festa? Mas como assim? Acusados, talvez inocentados ao final, mas nesse momento acusados de um delito de tamanha gravidade, de tamanha proporção, um massacre, um assassinato de um menino de 16 anos e são recebidos com festa no quartel? Mas que quartel é esse? Que corporação é essa?”

A deputada Manuela d’Ávila (PCdoB) também considerou um “comportamento inadequado” o que ocorreu no batalhão. O deputado Miguel Bianchini (PPL) pediu esclarecimentos sobre os fatos ocorridos pelos integrantes da Brigada Militar, que teriam errado em sua conduta.