Dois empresários foram presos em Campinas (SP) nesta sexta-feira, 29, acusados de participar de um plano para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A operação, que também cumpriu quatro mandados de busca e apreensão, representa o segundo caso recente em São Paulo de uma descoberta de plano do Primeiro Comando da Capital (PCC) contra um promotor.
Desta vez, a ordem para o atentado teria partido de um suspeito conhecido como "Mijão". Ele seria um dos principais líderes da facção e está foragido na Bolívia há mais de 19 anos. Segundo as investigações, um dos empresários presos, em associação com "Mijão", teria "arquitetado e colocado em prática um plano para matar o promotor", financiando a compra de veículos, armamento e a contratação de pessoas para uma emboscada.
A identidade de "Mijão" e seu papel na facção
"Mijão" é considerado um dos maiores operadores do tráfico de drogas no Brasil. De acordo com informações da inteligência policial, ele nunca foi preso em São Paulo e ascendeu de um atacadista de drogas para um dos gerentes financeiros do PCC em Campinas, até chegar à Sintonia Final da Rua, um grupo exclusivo de líderes em liberdade.
O histórico criminoso de "Mijão" é extenso. Ele foi investigado em grandes operações como a Gaiola, da Polícia Federal, em 2014, quando foi apontado como "um dos importantes pilares" de um grupo de tráfico internacional. Mais recentemente, foi alvo da Operação Sharks, que apurou a lavagem de R$ 1 bilhão em recursos do PCC. Segundo as investigações, ele era o responsável por organizar a logística de transporte de drogas da Bolívia e Paraguai para o Brasil.
A polícia aponta que "Mijão" atua como empresário na Bolívia, onde supostamente possui um restaurante em Santa Cruz de La Sierra e realiza reuniões com outros narcotraficantes. No organograma mais recente do PCC, ele aparece como um dos oito membros da Sintonia Final da Rua, logo abaixo do líder máximo da facção, Marco Willians Herbas Camacho, o "Marcola".
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Detalhes da operação e prisões
A prisão dos empresários, cujos nomes não foram revelados, foi realizada por promotores do Gaeco e policiais do 1º Batalhão de Ações Táticas Especiais (Baep). Eles são suspeitos de atuar nos setores de comércio de veículos e transportes. A descoberta do plano ocorreu durante a Operação Linha Vermelha, que investiga crimes como organização criminosa, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
O juiz da 4ª Vara Criminal de Campinas, Caio Ventosa Chaves, acatou os pedidos do Ministério Público. As investigações continuam em andamento para identificar outras pessoas envolvidas no plano de assassinato do promotor.