O Instituto-Geral de Perícias (IGP) examina um fio de cabelo encontrado no celular de Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, desaparecida um dia antes de seus pais, Isail e Dalmira Aguiar, 69 e 70, respectivamente, entre os dias 24 e 25 de janeiro, em Cachoeirinha. A análise indica que o vestígio é masculino, considerando possível semelhança com o do irmão do ex-marido de Silvana, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, de 39 anos. O laudo não aponta 100% de exatidão no resultado.
De acordo com a perícia, o fio de cabelo foi retirado de um pano que envolvia o telefone de Silvana, encontrado sob uma pedra na rua Palmeira das Missões, próximo ao numeral 413, no bairro Vila Anair, em 7 de fevereiro. A 2ª DP de Cachoeirinha diz que uma denúncia anônima teria informado a localização do aparelho.
O vestígio foi comparado ao DNA extraído da escova de dentes, barbeador e roupas do familiar do PM suspeito, após a apreensão dos itens na casa dele, em 13 de março. Na data, a mãe de 62 anos e a esposa do PM, também foram alvo de buscas.
Segundo o IGP, ao mesmo tempo em que não são descartadas semelhanças entre o fio de cabelo e o material genético do familiar de Cristiano, também não é possível afirmar com certeza absoluta o resultado da análise, sendo necessário fazer exames complementares. Em outras palavras, o laudo não define peremptoriamente de quem seria o vestígio, dificultando indiciamentos.
Cristiano Domingues está preso temporariamente no Batalhão de Polícia de Guarda (BPG), em Porto Alegre, desde 10 de fevereiro. Ele é considerado o principal suspeito do sumiço da família Aguiar, mas nega qualquer envolvimento no caso.
Parente de PM deixa de ser testemunha
O familiar de Cristiano e um amigo do PM, viraram suspeitos do desaparecimento da família Aguiar. Os dois eram tratados como testemunhas, ao lado de esposa do PM, que passou a ser investigada na última quinta-feira.
A Polícia Civil alega que o parente do PM teria apagado imagens de câmeras de segurança na casa da mãe dele. Para a 2ª DP de Cachoeirinha, ele é suspeito de fraude processual.
O advogado Ricardo Breier, que representa o irmão do PM, foi contatado, mas disse que está com acesso parcial aos autos e que aguarda vistas do processo integral. Depois, garantiu que fará manifestações.
Buscas na casa de esposa e amigo de PM
O amigo do PM e o namorado estiveram com Cristiano e a esposa no Stop Food Park de Cachoeirinha, em 24 de janeiro. Amigo de infância de mulher do militar, ele também é investigado por fraude processual, supostamente por omitir informações em depoimento.
A casa do rapaz, em Viamão, foi alvo de buscas no dia 5 de março, mas somente a mãe dele estava no imóvel, pois ele fazia companhia à amiga, na residência dela, em Cachoeirinha. Foram apreendidos celular e notebook, além de um videogame, que teria sido emprestado ao filho do PM no mesmo período do sumiço da família Aguiar. A criança é fruto do antigo relacionamento de Cristiano e Silvana.
a esposa de Cristiano é investigada sob as justificativas que teoricamente não cooperaria com a apuração policial e que manteria contato com o amigo dela, envolvido no inquérito. Outra desconfiança da Polícia Civil é que ela, que trabalha com informática poderia ter apagado conteúdos de aparelhos eletrônicos.
Buscas ocorreram na casa da esposa do PM no dia 13 de março, quando foram apreendidos o celular e notebook dela. Esta foi a segunda vez que ela teve telefone e computador apreendidos, sendo a primeira em 10 de fevereiro, após a prisão do marido.
A reportagem ainda insiste no contato, via mensagens e ligações, desde a semana passada, com a advogada Suelén Lautenschleger, que defende a esposa e o amigo do PM. Vale destacar que ela falou com o Correio do Povo em fevereiro e no início deste mês, enfatizando que a cliente nunca cometeu crimes e que entregou senhas de celular e notebooks à Polícia Civil, cooperando na elucidação dos fatos. O espaço permanece aberto.
Ação com cães farejadores
A área rural de Gravataí chegou a ser foco das buscas por corpos da família Aguiar, com uso de cães farejadores do Canil do Corpo de Bombeiros Militar. As ações estão suspensas para novo levantamento de área.
O celular de Silvana acabou sendo encontrado sob uma pedra na rua Palmeira das Missões, próximo ao numeral 413, em 7 de fevereiro. Uma denúncia anônima teria levado os agentes ao aparelho, diz a 2ª DP de Cachoeirinha.