A PF identificou ao longo da investigação que o município de Lagoão, no Alto da Serra do Botucaraí, servia de base para grupos que adquiriam cigarros no Paraguai e distribuíam nas regiões de Santa Cruz do Sul, Cachoeira do Sul, Aceguá, Bagé e Santana do Livramento. As características do município de Lagoão, com pouco mais de 6 mil habitantes, de difícil acesso e posição geográfica estratégica, facilitavam para encobrir a atuação das quadrilhas. Além de Lagoão, os grupos mantinham centros de distribuição de cigarros em Francisco Beltrão e Soledade e transportavam a mercadoria desde sua origem em veículos de passeio.
Entre os meses de fevereiro e julho, período da investigação, oito flagrantes foram realizados, resultando na prisão de 20 pessoas e na apreensão de 15 veículos, radiocomunicadores e mais de 270 mil pacotes de cigarro. Essas ações serviram para comprovar a materialidade da atuação criminosa.
Os suspeitos devem responder por contrabando, formação de quadrilha, receptação, adulteração de sinal de identificação de veículo automotor, sonegação fiscal e crime contra a Lei Geral de Telecomunicações pela utilização de radiocomunicadores.
A operação foi denominada “Travessia” em referência ao texto bíblico que relata que Moisés dividiu o Mar Vermelho, uma vez que o nome do município que servia de base das quadrilhas é Lagoão.