Polícia

PF cita Gusttavo Lima em investigação que apura lavagem de dinheiro do PCC

Cantor não foi incluído entre indiciados, mas deverá ser chamado a depor

Cantor pode ser anunciado como candidato a vice-presidência
Cantor pode ser anunciado como candidato a vice-presidência Foto : YouTube / Reprodução / CP

Após identificar uma rede de tráfico internacional de drogas do Primeiro Comando da Capital (PCC) com a máfia italiana, a Operação Mafiusi mira agora operações suspeitas de lavagem de dinheiro. Com base em informações de um delator, a Polícia Federal rastreou movimentações financeiras. Em um emaranhado de transações de grande valor que transitaram pelo sistema bancário em contas de pessoas jurídicas usadas pela facção, apareceram os nomes do cantor sertanejo Gusttavo Lima, do pastor Valdemiro Santiago e do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho.

De acordo com relatórios da PF aos quais a reportagem teve acesso, eles teriam realizado transações com suspeitos e acusados de integrar um 'sistema financeiro paralelo' do crime organizado. A PF não os incluiu no rol de indiciados, mas todos deverão ser chamados para depor. Na semana passada, na primeira fase da Operação Mafiusi, o Ministério Público Federal denunciou 14 pessoas por organização criminosa e associação para o tráfico.

Gusttavo Lima é cotado para ser candidato a vice numa eventual chapa encabeçada pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), que no dia 4 de abril vai se lançar como pré-candidato à Presidência em 2026 - ele disse que o cantor sertanejo participará do evento em Salvador (BA). Procurado, o cantor negou irregularidades e disse que a transação citada na investigação é referente à compra legal de uma aeronave. Valdemiro Santiago, que é da Igreja Mundial do Poder de Deus, e Adilson Filho, o Adilsinho, patrono da escola de samba Salgueiro, do Rio, não responderam à reportagem.

Um dos acusados na operação, o empresário Willian Barile Agati, o 'concierge do PCC', é apontado como o responsável por manter a rede de transações financeiras milionárias da facção. Ele está preso desde janeiro. O criminalista Eduardo Maurício, que representa Agati, afirmou que seu cliente é 'inocente'. 'É um empresário idôneo e legítimo, primário e de bons antecedentes, pai de família, que atua em diversos ramos de negócios lícitos, nacionais e internacionais, sempre com ética e seguindo leis vigentes', disse o defensor.

A Operação Mafiusi está sob tutela da 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba, a mesma que abrigou a Operação Lava Jato, investigação que desmontou esquema de corrupção instalado na Petrobras. Assim como a Lava Jato, a Mafiusi foi turbinada por informações de um delator: Marco José de Oliveira.

Em seu mais recente relatório enviado à Justiça, o delegado Eduardo Verza, do Grupo de Especial de Investigações Sensíveis (Gise), da PF do Paraná, afirmou que 'análise minuciosa das transações financeiras, das empresas e dos indivíduos envolvidos no caso de Willian Agati, revela a existência de uma organização criminosa com ramificações nacionais e internacionais'. Segundo o delegado, o 'modus operandi desta organização utiliza técnicas sofisticadas de estratificação de empresas de fachada e pessoas físicas para ocultar a origem ilícita dos recursos e dificultar o rastreamento das atividades ilícitas'.

Ainda conforme Verza, as empresas creditam valores de diferentes ramos do comércio e da indústria e fazem o mesmo com os débitos para ocultar operações ilegais. O delegado também destacou que, nesse sistema, pessoas físicas e jurídicas 'emprestam' contas-correntes para o tráfico em troca porcentagem do negócio.

O que diz a defesa 

"A assessoria de imprensa informa que Gusttavo Lima não é investigado pela Polícia Federal, assim como a Balada Eventos, empresa responsável pela gestão de sua carreira.

A Balada Eventos reitera que adquiriu uma aeronave da JBT Empreendimentos e Participações EIRELI, por meio de seus representantes legais (família Golin), em junho de 2022. Essa foi a única negociação realizada com a JBT. A transação ocorreu de forma legal, com contrato de compra e venda formalizado e devidamente registrado na ANAC.

Além disso, a Balada Eventos informa que não conhece Willian Barile Agati. Qualquer informação a respeito dele deve ser solicitada diretamente à família Golin. Sobre o questionamento de empresas ligadas ao artista registradas no mesmo endereço, esclarecemos tratar-se de um prédio comercial, com várias salas comerciais. Cada empresa ocupa uma sala.

Reafirmamos nosso compromisso com a verdade e a justiça, repudiando qualquer informação inverídica que tente distorcer os fatos e comprometer a reputação do artista. O departamento jurídico do artista analisará as providências legais cabíveis."