Polícia

PF deflagra operação de combate a contrabando de grãos na fronteira gaúcha

Produtos eram trazidos da Argentina para o Brasil através de portos clandestinos às margens do Rio Uruguai

PF faz operação de combate a contrabando de grãos no RS
PF faz operação de combate a contrabando de grãos no RS Foto : PF / CP

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira, a Operação Tebas, que visa desarticular um esquema milionário de contrabando de grãos, especialmente soja e milho, trazidos da Argentina para o Brasil através de portos clandestinos, localizados às margens do Rio Uruguai. Com apoio da Receita Estadual do Rio Grande do Sul, a ação mobilizou 54 policiais e 14 auditores-fiscais, cumprindo a 14 quatorze mandados de busca e apreensão nas cidades de Crissiumal e Tiradentes do Sul, além de Curitiba, no Paraná. Um homem foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo.

O principal objetivo das buscas foi angariar provas para caracterizar os investigados como membros de organização criminosa. Também foram executadas medidas de bloqueio de contas bancárias, vinculadas às pessoas físicas e jurídicas, com valores aproximados de R$ 80,8 milhões, assim como o sequestro de dezenas de automóveis e imóveis, além de indisponibilidade de criptoativos.

As investigações começaram em 2021. De acordo com a PF, foi constatado que há uma associação criminosa dedicada ao contrabando de grãos e lavagem de capitais, que opera através da criação de dezenas de empresas de fachada. O esquema utilizava a emissão de notas fiscais falsas como mecanismo para conferir ares de legalidade à mercadoria internalizada de forma irregular em solo gaúcho.

Ainda conforme o apurado, a carga, amparada por essa documentação fraudulenta, era transportada dos portos clandestinos às empresas destinatárias que, posteriormente, fazia sua distribuição pelo RS. Há indícios que o consórcio criminoso tenha sido responsável pela emissão de notas fiscais com valor superior a R$ 209 milhões.

"A investigação começou com a fiscalização de cargas sem origem definida. A partir daí, constatamos um esquema de notas fiscais fraudulentas e a criação de empresas em nome de laranjas. Também constatamos a existência de escritórios de contabilidade que atuavam como comparsas na construção das fraudes”, disse o delegado adjunto da Receita Estadual, Germano Schneider.

Ainda de acordo com o delegado, o modus operandi do grupo inclui subornar agricultores para esquentar notas fiscais, assim como ceder propriedades para a instalação de portos clandestinos. Não é descartada uma segunda investigação com foco em pessoas que atuavam como comparsas da organização criminosa.