Polícia

PF faz operação contra pessoas sancionadas pelos EUA por suposta ligação com PCC

Ofensiva investiga movimentação financeira de mais de R$ 10 bilhões em lavagem de dinheiro obtido com tráfico

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira uma operação contra pessoas que foram sancionadas pelos Estados Unidos por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A ofensiva, chamada de Exchange, tem o objetivo de desarticular uma quadrilha especializada em lavagem de dinheiro oriundo do tráfico internacional de drogas. As movimentações teriam ultrapassado R$ 10 bilhões.

As apurações dos investigadores revelaram que os suspeitos usavam um sistema estruturado para movimentação de recursos, com transferências ilícitas de criptoativos; transporte de valores — inclusive em espécie —; operações bancárias de alto valor; repasses entre pessoas físicas e jurídicas; além de outras atividades financeiras.

Mais de 50 policiais federais cumprem 11 mandados de prisão temporária, bem como 13 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal em São Paulo, em endereços na capital paulista, em Santos (SP), em Praia Grande (SP) e em Santana de Parnaíba (SP).

Também ficou determinado judicialmente o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados, até R$ 10,4 bilhões.

Sanções

Nessa quarta-feira, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou a sanção de três empresas brasileiras suspeitas de terem ligação com o PCC. A punição foi estendida a três pessoas brasileiras e uma outra companhia de origem portuguesa.

No comunicado, o departamento norte-americano definiu o PCC como uma ameaça aos Estados Unidos. “Opera dentro dos EUA, particularmente na Flórida, onde contribui para um ciclo de criminalidade”, diz a nota.

Para o departamento, PCC é a maior organização criminosa transnacional do hemisfério ocidental. “Nos últimos anos, expandiu suas operações globalmente, com significativa presença em países como Reino Unido, Turquia e Japão. Nos Estados Unidos, o PCC representa uma ameaça crescente e real.

O comunicado ainda cita a atuação das autoridades brasileiras contra o PCC, que “descobriram um sistema de lavagem de dinheiro utilizando eletrônicos da China e uma plataforma de origem chinesa para lavar mais de 190 milhões de dólares em sete meses”.