A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira, a Operação Plata y Plomo, para coibir um grupo criminoso especializado na importação ilícita de baterias e de sucatas de baterias de veículos, na fronteira Oeste. Segundo a instituição, os materiais eram internalizadas em território riograndense por meio da divisa entre Santana do Livramento e Rivera, no Uruguai.
Na ação, policiais federais cumpriram dois mandados de prisão em Santana do Livramento e 13 mandados de busca e apreensão, sendo cinco no município, três em Novo Hamburgo e outros cinco em Santa Catarina, nas cidades de Sangão (1), Concórdia (2) e Brusque (2). Também foram executadas ordens de bloqueios de aproximadamente R$ 6 milhões nas contas bancárias dos suspeitos, além do sequestro e apreensão de bens móveis e imóveis deles.
A investigação teve início em maio de 2023, a partir da apreensão de um caminhão carregado com sucatas de baterias e baterias novas, todas de procedência uruguaia. Segundo a PF, as mercadorias eram transportadas de maneira dissimulada, por meio da emissão de notas fiscais falsas por empresas de Novo Hamburgo e de Santa Catarina.
Os policiais estimam que mais de 950 toneladas de baterias tenham sido introduzidas irregularmente, em um período de apenas nove meses. Ainda durante o período, a movimentação financeira do grupo ultrapassou R$ 6 milhões.
A Operação Plata y Plomo teve como foco os mecanismos de introdução ilícita de mercadorias no Brasil e as metodologias de lavagem de dinheiro usadas pelos suspeitos. Há indícios de que veículos registrados em nome de terceiros foram usados como pagamento de mercadorias. Da mesma forma, contas bancárias de passagem foram usadas como mecanismo de blindagem e dissimulação das movimentações financeiras.
De acordo com a PF, o comércio ilícito de baterias é uma prática recorrente na fronteira. A instituição diz que os bandidos se capitalizem para viabilizar a prática de outros crimes, a exemplo da própria lavagem de dinheiro, contrabando e evasão de divisas.
Além de alto poder de degradação ambiental, diz a PF, esse tipo de crime apresenta altíssimo potencial de lucro oriundo da revenda e manufatura de chumbo extraído das baterias contrabandeadas.
O nome da Operação foi uma referência justamente a essa correlação entre a revenda de chumbo (plomo) e os efeitos econômicos (plata) do contrabando de baterias.