Deflagrada em dez cidades dos três estados do Sul do País, a operação Fractal apreendeu veículos, computadores, eletroeletrônicos e documentos. Cerca de 250 agentes cumpriram 40 mandados de busca e apreensão, 23 mandados de prisão preventiva, seis mandados de prisão temporária e 29 mandados de condução coercitiva nos municípios de Curitiba, Faxinal, Foz do Iguaçu, Maringá, Matinhos e Medianeira (PR); Canoas e Porto Alegre (RS); e Joinville e Laguna (SC).
Suposta participação de PMs na quadrilha
A PF iniciou a investigação sobre o caso em 2010, após representação do Ministério Público Federal de Umuarama (PR). A corporação apurou que a quadrilha se valia de um “braço armado” formado por policiais militares lotados, em sua maioria, em rotas de contrabando no noroeste do Paraná.
Além de facilitar a passagem da mercadoria do grupo, os PMs extorquiam contrabandistas concorrentes, repassando parte dos valores e dos produtos desviados de apreensões aos líderes do esquema.
Segundo a PF, a organização era liderada por um assessor de um deputado estadual do Paraná e por oficiais da Polícia Militar (PM), que mantinham os aliciados em equipes móveis e os auxiliavam em procedimentos disciplinares para concretizar os crimes.
Os valores derivados da corrupção e repassados ao assessor do político e aos oficiais da PM paranaense giravam em torno de centenas de milhares de reais, informou a PF. A movimentação gerou patrimônio por parte dos integrantes da quadrilha. Parte dos imóveis e valores foram bloqueados por decisão judicial.
Fractal
O nome da operação é decorrente da capilaridade detectada nas investigações, que levou a quadrilha a infiltrar-se em todas as esferas do Estado. Por um conceito matemático, “fractal” seria um objeto que apenas encontraria regras na irregularidade.
A Polícia Federal apurou que existem indícios de que a organização criminosa infiltrou-se, ou buscava influência, em setores das polícias Militar, Civil e Federal, Receita Federal, Receita Estadual, Ministério Público Estadual e também na Assembleia Legislativa do Paraná.
Durante os dois anos da investigação foram realizados diversos flagrantes e prisões de servidores públicos por corrupção. A Polícia Federal deverá realizar ainda outras diligências.