A Polícia Federal em Mato Grosso cumpre, nesta sexta-feira, 91 mandados de busca e apreensão e 91 de prisão preventiva em diversos municípios, entre eles Porto Alegre. A ação abrange também os Estados do Mato Grosso, São Paulo, Paraná, e Espírito Santo.
Nas cidades de Fernandopólis, Ourinhos, Araçatuba, Salto Grande e São José do Rio Preto, no Estado de São Paulo; União da Vitória, no Paraná; além de Brasília e Belo Horizonte serão cumpridos um mandado de busca e apreensão e uma de prisão preventiva.
A ação denominada Operação Jurupari tem o objetivo de reprimir a extração, transporte e comércio ilegal de produtos florestais na Amazônia mato-grossense, principalmente aqueles provenientes do interior e entorno de áreas protegidas federais, como Terras Indígenas e Parques Nacionais.
A operação é fruto de cerca de dois anos de investigações empreendidas pela Polícia Federal que contaram com intenso trabalho de inteligência e pericial realizado pelo órgão. Foram apuradas irregularidades praticadas por servidores, engenheiros e proprietários em pelo menos 68 empreendimentos e propriedades rurais. Dentre os presos, além de madeireiros e proprietários rurais, estão engenheiros florestais e servidores públicos da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) que eram responsáveis por produzir e aprovar licenciamentos e Planos de Manejo Florestal fraudulentos, necessários à legalização e comércio de madeiras extraídas no interior dessas áreas públicas.
Dentre as principais irregularidades, destacam-se fraudes na concessão de licenciamentos e autorização de desmatamentos, até mesmo no interior de áreas protegidas, como Terras Indígenas. Também foram constatada disponibilidade de créditos florestais fictícios, que permitem o desmatamento e retirada ilegal de madeira, de áreas não documentadas, especialmente de terras públicas e áreas protegidas, como terras indígenas, assentamentos do Incra e unidades de conservação. Os criminosos ainda usaram transporte, processamento e comercialização de produtos florestais pelas serrarias e madeireiras, as quais recebem o produto “esquentado” com documentação fraudulenta, abastecendo e incentivando, portando, todo o esquema.
Após interrogatório, os presos serão encaminhados ao sistema prisional e responderão pelos crimes de formação de quadrilha; corrupção ativa/passiva; furto; grilagem de terras; falsidade ideológica; inserção de dados falsos em sistema de informática, além de diversos crimes previstos na Lei de Crimes Ambientais.
A pedido da Polícia Federal, a Justiça Federal em Mato Grosso decretou o sequestro e indisponibilidade dos bens de todos os envolvidos, bem como o afastamento preventivo de todos os servidores indiciados. A medida se fundamentou na prova pericial produzida, que comprova que, além de diversos dos envolvidos possuírem movimentações financeiras incompatíveis com seus rendimentos declarados à Receita Federal. O valor mínimo dos danos ambientais causados pelos investigados, nestes últimos anos, somado, é de aproximadamente R$ 900 milhões.
PF procura 91 por crimes ambientais em cinco Estados entre eles o RS
Operação é fruto de cerca de dois anos de investigações