A ideia da Polícia Federal em criar uma unidade específica para atuar ostensivamente ao longo dos 15,7 mil quilômetros de fronteira do Brasil com dez países, abrangendo 11 estados, foi bem recebida pelo comandante-geral da Brigada Militar, coronel Andreis Silvio Dal´Lago. “O policiamento na linha de fronteira é de competência da Polícia Federal. Todo o aparato policial que vier para fazer a prevenção e repressão do crime transfronteiriço é bem-vinda”, afirmou na manhã desta quarta-feira.
Dal´Lago lembrou que o Rio Grande do Sul possui em torno de cerca de 1,7 mil quilômetros de fronteira com Uruguai e Argentina. “Há muito tempo temos exigido e pleiteado que o governo federal efetivasse a proteção na fronteira. Hoje a Brigada Militar está praticamente atuando sozinha na região”, destacou. “Para nós será muito importante”, concluiu. O tráfico de drogas armamento e munição, além de contrabando, entre outros crimes, passa pela fronteira através sobretudo de rotas montadas pelas organizações criminosas.
A nova unidade, cuja criação está sendo tratada entre o presidente Michel Temer e o diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segóvia, teria um quadro próprio de servidores e atuaria fardada. A viabilidade dela depende ainda do estabelecimento de uma nova carreira dentro da instituição, com atribuições específicas. O ministro da Justiça, Torquato Jardim, declarou que se é “um projeto antigo revisitado”, mas frisou que ainda inexiste uma determinação do prazo para que a proposta seja finalizada e concretizada.
No Mato Grosso do Sul, existe uma experiência estadual de uma unidade específica com atuação ostensiva e investigativa na região fronteiriça com Paraguai e Bolívia. Trata-se do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) que nasceu em maio de 1987 com o nome então de Grupo de Operações de Fronteira, reunindo policiais militares e civis. Em janeiro de 1996 recebeu a atual denominação, sendo subordinado à Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública. Já em dezembro de 2006 surgiu a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (DEFRON), integrada operacionalmente ao DOF.
PF quer criar unidade específica para atuar na fronteira
Brasil tem 15,7 mil quilômetros de divisa com dez países