A Polícia Federal tentará localizar o dinheiro que teria sido desviado da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) pelo ex-reitor Ruben Becker. O superintendente da PF no Rio Grande do Sul, delegado Ildo Gasparetto, disse que esse procedimento é padrão quando são investigados crimes de lavagem de dinheiro.
O delegado não revelou em quais países serão feitas investigações, mas o Uruguai deve ser um deles. Becker foi indiciado por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, fraudes e estelionato. Gasparetto informou que o inquérito policial deve ser concluído nesta sexta-feira. Becker prestou depoimento hoje, na Delegacia Fazendária, por cerca de duas horas e, segundo os policiais, ficou calado por todo o tempo.
A PF informou que não pedirá a prisão preventiva do ex-reitor, apontado como líder de uma quadrilha que teria desviado mais de R$ 60 milhões da Ulbra. Os suspeitos teriam criado empresas fantasmas para receber valores por supostas consultorias prestadas à Ulbra, no período de 2005 até o início de 2009. O ex-reitor foi denunciado também pelo Ministério Público Federal por ilegalidades no museu tecnológico da universidade.
Em dezembro, o juiz federal Guilherme Pinho Machado determinou a penhora de dois apartamentos de Becker – incluindo uma cobertura. Os imóveis localizados no Edifício Palma Real foram registrados no nome da empresa RME, que pertence à família Becker. Os bens foram avaliados em mais de R$ 2,5 milhões. A cobertura foi leiloada, em abril, por R$ 984 mil.
Além dos apartamentos, foi determinada a penhora de cinco boxes de garagem no mesmo edifício. A Justiça Federal de Canoas homologou também a venda direta de 312 veículos de propriedade do ex-reitor.
Advogado considera um exagero apontar Becker como chefe de uma quadrilha
O defensor de Becker, Daniel Gerber, reagiu com tranquilidade quanto ao indiciamento do ex-reitor. O advogado reiterou que este já era esperado, pois existe um contrato assinado por Becker, algo que em momento algum foi negado pelo defensor, mas considerou um exagero de Gasparetto rotular o suspeito de líder de quadrilha. “Não acredito que o ex-reitor soubesse o que ocorria, se é que ocorria alguma coisa”, afirmou Gerber. “Pegar uma pessoa que criou a Ulbra e, agora quando ela tem 70 anos, acusá-la de ter passado a sangrar o que criou é um contrassenso”, criticou o advogado.
Gerber fez questão de elogiar o inquérito, considerando a investigação muito bem feita pela Polícia Federal, porém considera que o dito esquema ainda não está muito bem explicado pelos policiais e que há uma situação bastante nebulosa no caso. “A Polícia pegar como base uma situação (contrato assinado), que considera fraude, não é suficiente, tem que ser melhor explicado”, afirmou o advogado de defesa.
PF tentará localizar no exterior recursos que teriam sido desviados por ex-reitor da Ulbra
Ruben Becker foi indiciado por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha