Polícia

Pintor de NH pode responder por roubo, extorsão e ocultação de cadáver

Necropsia de idosa encontrada morta dentro de casa não concluiu que ela foi assassinada

A necropsia realizada no corpo da aposentada Flávia Schmidt Kipper, 79 anos, encontrado dentro da garagem de casa na sexta-feira, em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, foi inconclusiva quanto o motivo da morte. Em razão do estado de decomposição, não foi possível saber se ela foi agredida. O pintor preso por roubar a casa da vítima alega que ela sofreu um mal-súbido. Caso essa tese seja confirmada, o suspeito deverá ser enquadrado somente nos crimes de roubo, extorsão e ocultação de cadáver e não de latrocínio, segundo o titular da Delegacia de Roubos, Juliano Ferreira.

O delegado afirmou que a polícia estuda uma alternativa e pode pedir novos exames para chegar mais perto de uma resposta sobre a causa da morte, ou até mesmo a confirmação de marcas de agressão. “É uma resposta técnica, médica, que não depende de nós”, ressaltou. Segundo Ferreira, o que mudaria seria a tipificação do crime. Caso fosse constado que a mulher foi assassinada, o pintor responderia por latrocínio, além dos outros crimes. “Mesmo assim, ele vai responder por crimes considerados gravíssimos”, explicou.

Ferreira relatou que a história contada pelo homem de 25 anos é coerente. Ele confessou aos policiais que pretendia obter dinheiro da vítima, de quem era conhecido por ter sido pintor da casa. Na última terça-feira, ele foi à residência e chegou a ser atendido pela aposentada, que pediu a ele para arrumar uma telha. O homem aproveitou o momento para exigir uma quantia referente a uma herança. Segundo o depoimento do suspeito, a mulher teria sofrido um mal súbito e morreu. Ele alegou ainda ter se assustado com a situação e escondido o corpo em um compartimento, antes de levar alguns objetos do imóvel.

Ainda na terça-feira, a família da vítima registrou o desaparecimento dela na 1ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo. Pouco tempo depois, os parentes da aposentada receberam um telefonema com pedido de resgate. A partir de então, os policiais orientaram a família a negociar o pagamento, enquanto seguiam as investigações.

A polícia encontrou uma testemunha, que portava um aparelho auditivo da aposentada. Com isso, foi possível a prisão do suspeito. Ele – que estava em liberdade condicional e já tinha passagens por roubo, furto e sequestro-relâmpago – foi autuado em flagrante pelos crimes de extorsão, já que havia pedido o resgate, e por ocultação de cadáver.

O corpo foi retirado minutos depois do local indicado pelo homem e encaminhado ao Departamento Médico Legal.

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