Polícia

PM é condenado a 14 anos de prisão por morte de engenheiro civil em Porto Alegre

Crime ocorreu no dia 14 de janeiro de 2016

Réu poderá recorrer em liberdade
Réu poderá recorrer em liberdade Foto : Guilherme Almeida

Um policial militar, acusado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), foi condenado a 14 anos de prisão em regime fechado pelo homicídio do engenheiro civil Vilmar Mattiello, 58 anos. A condenação do réu também foi pela tentativa de homicídio do passageiro do carro conduzido pela vítima que morreu. O caso ocorreu no dia 14 de janeiro de 2016 na Avenida Wenceslau Escobar, Bairro Tristeza, zona sul de Porto Alegre.

A Justiça concedeu ao réu o direito de recorrer da decisão em liberdade. Além disso, foi decretada a perda do cargo público, no entanto, cabe recurso desta decisão.

O promotor de Justiça Eugênio Paes Amorim atuou em plenário, na 2ª Vara do Júri, pelo MPRS. Segundo ele, “o Conselho de Sentença mostrou os limites de ação do Estado perante o particular, ou seja, o que pode e o que não pode se fazer quando se usa uma farda e se tem uma pistola na mão”. Há oito anos, o engenheiro foi baleado pelo fato de não ter atendido a um sinal de parar o veículo. O carro, após perseguição, bateu em um poste.

O condutor foi atingido por um dos disparos e morreu no local. O passageiro, que foi ouvido no Tribunal do Júri na condição de vítima, não foi baleado. Depois dele, prestaram depoimento cinco testemunhas de acusação e uma defesa. Pela manhã, logo depois das 10h, depôs o irmão de Mattiello, um amigo e uma das filhas dele, um delegado de Polícia e um colega do engenheiro. Na sequência, um policial também foi ouvido, mas como testemunha de defesa.

Na tarde, houve o interrogatório do réu e os debates. O júri terminou logo depois das 22h. “Os depoimentos confirmaram que o policial atirou porque quis, atirou querendo atirar para depois perguntar, afinal de contas, quem estava dentro do carro e, se realmente, como presumira, eram delinquentes e esse é um risco que, sinceramente, não pode ser admitido na sociedade“, disse o juiz federal Fábio Mattiello, irmão de Vilmar.

O engenheiro, que voltava para casa no dia em que houve o fato, deixou mulher e duas filhas. O plenário esteve lotado durante todo o dia, a maioria era de familiares da vítima, incluindo a mãe dele.