A Polícia Civil investiga o caso de um jovem baleado e morto por um policial militar em Bom Jesus. O caso aconteceu no dia 4 março, quando foi registrado como morte decorrente de confronto. Em junho, porém, um vídeo recebido pelo Ministério Público mostra que o rapaz estava com as mãos imobilizadas quando foi alvo de disparos.
O morto foi identificado como Geovane Matias Maciel, 19 anos, que tinha um mandado de prisão em aberto. A gravação mostra o momento em que ele é retirado de um veículo por quatro policiais e, com as mãos já algemadas para trás, é alvo de dois disparos efetuados por um dos PMs.
De acordo com a Brigada Militar, os quatro envolvidos na abordagem foram afastados de suas funções. A situação é apurada em um Inquérito Policial Militar (IPM)
A Polícia Civil informou que, após a divulgação do vídeo, um novo inquérito foi aberto e o caso agora é investigado como homicídio. A prisão preventiva do PM que efetuou o disparo foi solicitada nesta manhã, mas a medida ainda não havia sido deferida até o momento desta publicação.
Leia a nota da Polícia Civil
A Polícia Civil informa em relação ao homicídio de Geovane Matias Maciel, ocorrido em Bom Jesus-RS, no dia 4 de março de 2025. Inicialmente apresentado como morte decorrente de oposição à intervenção policial, o caso tomou novos rumos.
O Inquérito Policial inicial foi concluído e remetido à Justiça de Bom Jesus dentro do prazo legal, fundamentado nos depoimentos dos quatro policiais militares envolvidos e de uma testemunha, os quais relataram resistência à prisão e agressão de Geovane com uma faca contra um dos policiais, que reagiu a tiros.
Entretanto, em 23 de Junho, a Polícia Civil recebeu do Ministério Público uma denúncia anônima via Internet, acompanhada de vídeo. Essa nova informação alterou substancialmente o curso das investigações, pois a imagem indica que o jovem já estava detido e algemado no momento em que foi atingido por dois disparos de arma de fogo.
Diante desses elementos, a Polícia Civil instaurou novo Inquérito Policial, extraordinariamente pela DP Vacaria, sob a presidência do Delegado Anderson Silveira de Lima.
É fundamental ressaltar que a Polícia Civil tem a atribuição legal para investigar crimes dolosos
contra a vida praticados por militares em serviço. A Justiça de Bom Jesus foi prontamente comunicada sobre a existência dos novos fatos e da instauração do novo Inquérito Policial. Diversas diligências já foram realizadas na nova Investigação e outras estão em curso.
O vídeo crucial para a investigação foi encaminhado ao Departamento de Criminalística para perícia, assim como as armas utilizadas pelos policiais e projéteis extraídos no exame de necropsia. Informa-se ainda que os quatro Policiais Militares envolvidos são lotados na Organização Policial Militar (OPM) de Bom Jesus, e foram afastados de suas funções pelo Comando Regional.
Geovane, de 19 anos, possuía Mandado de Prisão Preventiva por violência contra sua ex-companheira, sendo suspeito de incendiar a casa dela dois dias antes do homicídio, fogo que consumiu totalmente a moradia da mulher e a de um vizinho. Também foi apontado como autor de furto de uma motocicleta e a uma propriedade rural na véspera de sua morte.
Enquanto adolescente foi investigado por diversos atos infracionais, incluindo ameaças, furtos e roubos, sendo o mais grave o latrocínio de um morador do Governador, 2º Distrito de Bom Jesus, então com 39 anos, que foi morto com tiro de espingarda durante um roubo. O novo Inquérito Policial deve ser concluído em trinta dias, quando será remetido à Justiça
Leia a nota da Brigada Militar
Sobre a ocorrência do munícipio de Bom Jesus, dia 4 de março de 2025, envolvendo um indivíduo foragido do sistema prisional. A Brigada Militar após tomar conhecimento dos fatos, imediatamente, afastou do policiamento ostensivo os policiais militares envolvidos na ação e foi instaurado Inquérito Policial Militar (IPM), o qual foi avocado para a Corregedoria-Geral da Brigada Militar.
Na última sexta-feira (4/7), foi cumprido mandado de busca e apreensão na casa dos policiais militares envolvidos, além disso, foi feito o pedido da prisão preventiva, e aguarda-se o despacho do Poder Judiciário. A Brigada Militar reitera seu compromisso com a proteção dos direitos e garantias fundamentais e informa que não compactua com qualquer desvio de conduta.