Polícia

PM do Rio nega excesso e fala em "uso gradativo da força"

Protesto contra gastos na Copa das Confederações ocorreu próximo ao Maracanã

Tropas foram mobilizados para reprimir protestos no Rio
Tropas foram mobilizados para reprimir protestos no Rio Foto : Tasso Marcelo / AFP / CP
O porta-voz da Polícia Militar (PM) do Rio de Janeiro, coronel Frederico Caldas, disse na noite deste domingo que não houve excesso da corporação diante dos protestos realizados próximo ao Maracanã, antes do jogo entre Itália e México. "Não houve excesso, mas uso gradativo da força", explicou. Ainda segundo Caldas, a partida só ocorreu "por causa" da atuação das tropas.

O ato contra os gastos públicos na Copa das Confederações, realizado durante a tarde nos arredores do estádio, terminou em confronto entre manifestantes e policiais. "Não faltou preparo, não faltou planejamento, não faltou integração entre as forças policiais. O jogo só aconteceu por conta da atuação da PM. Quando há a recusa (no cumprimento) de uma ordem de autoridade legal, está se cometendo crime e a polícia precisa intervir", completou.

Para o porta-voz, a atuação policial também "foi necessária para garantir a desobstrução da via pública (...) e das estações de trem e metrô de São Cristóvão". A PM escalou 1,2 mil policiais militares para atuar no Maracanã, dos quais 350 dentro do estádio.

Durante o protesto no Rio na tarde deste domingo, a Polícia Militar (PM) lançou bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo as cerca de mil pessoas que protestavam nas imediações do estádio. A névoa enfumaçada que se formou no entorno do Maracanã fez com que centenas de pessoas passassem mal, com crises de tosse, lágrimas nos olhos e dificuldades para respirar.

A PM informou que seis manifestantes foram presos durante o protesto. Segundo o coronel Frederico Caldas, seis artefatos explosivos foram apreendidos pelos policiais. Um deles era um coquetel molotov, afirmou o oficial.

Caldas também contou que um policial do 4º Batalhão ficou ferido - não divulgou, porém, qual o estado de saúde da vítima. Asmática, uma jovem manifestante teve que ser socorrida pelos colegas durante a repressão ao protesto.

Ministro do Esporte silencia

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, não quis opinar sobre os protestos do Rio e de Brasília, na véspera da abertura da Copa das Confederações, antes da vitória do Brasil sobre o Japão. "Quero ver o conjunto da obra primeiro, para depois opinar. Não vi nada, estava aqui dentro", afirmou antes da partida entre México e Itália, no Maracanã.

Em Brasília, a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal informou que 29 pessoas foram detidas no protesto de sábado. Do total, 19 eram adultos e dez adolescentes. Entre os adultos, 17 continuam na 5ª Delegacia de Polícia Civil e dois foram liberados. Eles irão responder pelos crimes de desacato à autoridade, ressistência à prisão e dano ao patrimônio público.

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