O clima da Copa do Mundo de 2014, que terá Porto Alegre como uma das cidades-sede, fez o 4º Regimento de Polícia Montada (4 RPMon), da Capital, começar a se preparar para o evento. A intenção é ter efetivo maior no patrulhamento a cavalo, em especial nos jogos, item que consta no caderno de encargos da Fifa, que exige este tipo de policiamento durante os eventos.
Para tanto, 80 alunos soldados estão em treinamento desde outubro no regimento e irão se somar ao efetivo atual, de 50 homens. Existe ainda a perspectiva de a unidade ter um criatório de animais, passando dos atuais 96 equinos para cerca de 120. No final da tarde de quarta-feira, na sede da instituição, na zona Leste da Capital, o Correio do Povo acompanhou o treinamento de dez alunos, com razoável conhecimento na condução dos animais. Foram feitas formações defensivas, de batalha e, pela primeira vez, os novatos realizaram a manobra conhecida como "carrossel", uma das mais famosas da cavalaria, usadas em exibições comemorativas.
Conforme o capitão César Vinícius Boeira, 33 anos, há oito no 4 RPMon, a turma dos novatos foi dividida em quatro grupos. No primeiro, estão os soldados que já dominam a condução de um cavalo. No segundo, praças que têm um pouco de conhecimento, mesmo que de maneira incipiente. Nas terceira e quarta equipes, os soldados que não sabem montar. Para eles, as aulas começam com teoria e contato com os animais, todos mansos. Os que já montam, fazem o patrulhamento pela cidade, sob supervisão de um PM mais experiente.
Na tarde do treino acompanhado pelo CP, os novatos aprenderam a formar linha, subir na cela para uma visão do terreno e como enfrentar situações adversas, com manobras evasivas. "O treinamento é de uma hora e meia, diária", disse o capitão. "Meia hora para encilhar o animal e uma hora de exercícios, pois mais do que isso forçaria muito o cavalo", explicou o capitão Boeira.
Policiamento a cavalo é preventivo e impõe respeito
Os cavalos utilizados no patrulhamento pelo 4 RPMon são "aposentados" aos 24 anos. Um animal é comprado, de acordo com o comandante interino da unidade, major Leandro Balen, por cerca de R$ 1,5 mil. Depois de adestrado, porém, seu valor aumenta. Após a aposentadoria é feito termo de descarga, e o animal, entregue a um fiel depositário - em geral, pessoas que possuem sítios ou fazendas. Mesmo fora da instituição, destacou o tenente Mário Oli Ibarra da Silva, que há 37 anos serve no regimento, os animais recebem acompanhamento de veterinários da Brigada Militar, que os visitam periodicamente.
O tratamento recebido pelos cavalos nas baias, situadas dentro do 4 RPMon, pode ser considerado VIP, inclusive com direito a "serviço de quarto", que começa ainda na madrugada. Diariamente, às 5h, eles recebem café da manhã, composto por um quilo de ração, um quilo de aveia e dois quilos de alfafa. O cardápio - com porções idênticas -, é o mesmo no almoço, servido às 11h e, no jantar, às 18h. Além disso, existem os cuidados de veterinários e a amizade dos policiais. No início, o novato não escolhe a montaria, só depois de estar integrado ao batalhão. Os animais seguem rotina de trabalho e cumprem turnos alternados - manhã ou tarde.
Para o comandante interino do 4 RPMon, major Leandro Balen, a Polícia Montada gaúcha não teve inspiração no estrangeiro ao ser formada. O policiamento a cavalo está calcado na tradição cultural. O oficial afirmou que técnicas ou tecnologia usadas no exterior podem ser "importadas" para cá. Segundo o major, a Real Polícia Montada Canadense já não é empregada no policiamento das cidades daquele país, apesar da mística que envolve o seu nome. EUA, Alemanha, Espanha e França são os países que usam o policiamento a cavalo, em especial nos jogos de futebol. "O policiamento a cavalo é preventivo e impõe respeito", analisou Balen.
PM gaúcha começa treino para Copa 2014
Regimento de Polícia Montada treina 80 homens para integrar efetivo a cavalo