Polícia

PM que matou assaltante em ônibus diz que agiu por instinto

Soldado do 9º Batalhão da Polícia Militar descreve assalto na zona Norte de Porto Alegre

O policial militar que matou um assaltante em um ônibus da empresa Transcal, na noite de terça-feira, na zona Norte de Porto Alegre, afirmou que agiu por instinto. Em entrevista ao Correio do Povo, o soldado, de 28 anos, lotado no Pelotão de Operações Especiais (POE) do 9º Batalhão de Polícia Militar (9º BPM), contou que estava indo para casa, sentado em um dos bancos da frente, próximo ao motorista.

Na parada da avenida Assis Brasil, pouco antes do ataque, subiram os criminosos. “Um deles subiu primeiro, passou a roleta e foi direto para os fundos”, lembrou o policial militar. “Depois embarcaram três ou quatro pessoas e, em seguida, o assaltante que morreu e o adolescente”. O soldado está de licença médica, pois operou a mão esquerda uma semana antes do confronto com os criminosos. O assaltante morto, de acordo com a polícia, é um ex-presidiário, de 28 anos. O menor, também baleado, tem 17 anos. 

Quando percebeu os dois últimos subirem, um olhando para o outro, o policial militar sacou o seu revólver e o colocou embaixo da mochila, que levava no colo. O adolescente sentou em um banco atrás do PM, e o ex-presidiário no banco logo atrás do motorista. O soldado disse que a  sua maior preocupação era com os passageiros. No horário, o coletivo estava praticamente cheio. O PM lembrou que na hora apenas pensou: “é hoje”. “Fiquei esperando, olhando o homem, que morreu, de canto de olho”, recordou.

Ataque


Quando o ônibus arrancou, o ex-presidiário deu uma olhada para o adolescente e levantou-se, mostrando o cano da arma. Em seguida, o assaltante encostou o cano do revólver na cabeça do motorista, dizendo ser um  assalto e querer apenas o dinheiro. Logo depois, ele mandou o motorista ficar calmo e diminuir a velocidade, pois o criminoso queria pegar o dinheiro e descer.

Neste momento, o ex-presidiário ficou de costas para o soldado. Vendo a ação, com o criminoso já vindo em direção ao cobrador, o policial militar levantou-se, já de arma em punho, e gritou “polícia”. “Aí disparei contra ele (ex-presidiário)”, lembrou o brigadiano. “O adolescente, que estava nas minhas costas e com a mão no bolso do moletom, fez menção de reagir e eu desferi um tiro, que acertou o tórax”, recordou o soldado. 

Chute

Mesmo ferido, o rapaz ainda tentou levantar-se outra vez, sendo de novo baleado. Nesse momento, ele pegou a mão do PM que estava enfeixada e a apertou, na tentativa de manter-se de pé. Porém, o soldado conseguiu se desvencilhar e  lhe acertou outro tiro, também no tórax. O menor caiu no piso do coletivo.

O PM contou que, já no chão, o adolescente acertou um chute na canela do policial, que deu mais um tiro na perna do suspeito. “Esse chute me fez perder o equilíbrio e caí por cima dos bancos”, contou o integrante do POE. “O terceiro integrante, fugiu pela porta dos fundos e, segundo alguns passageiros, ele estava com a arma na mão”. 

Em seguida, o soldado foi auxiliado pelo motorista do coletivo e alguns passageiros. Ninguém mais foi ferido.  O adolescente está internado no Hospital Cristo Redentor sob custódia da BM. Ele será encaminhado ao Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca), assim que receba alta.

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