A paralisação iniciada nesta segunda-feira na área da Segurança Pública em protesto contra o parcelamento dos vencimentos, cujo primeiro pagamento foi de apenas R$ 600, deve ser reforçada com a mobilização dos policiais militares. As entidades de classe da Brigada Militar (BM) definiram pelo início do aquartelamento a partir desta terça-feira em todas as unidades da BM. De acordo com o presidente da ABAMF, Leonel Lucas, as viaturas da BM sairão para as ruas apenas para o atendimento exclusivo de urgências e emergências, retornando logo em seguida para os quartéis.
Familiares e inativos devem montar piquetes nas frentes das unidades. Alguns quartéis no interior, constatou o dirigente, já se aquartelaram ontem mesmo. Viaturas com problemas, sobretudo de documentação, devem ficar baixadas. Por sua vez, o coordenador adjunto da Abergs, Florisbelo Dutra, destacou a realização também de operação padrão pelos bombeiros. “O que é de responsabilidade do servidor será feito, mas será um feijão com arroz”, declarou, explicando que o “jeitinho” dado normalmente não será realizado desta vez.
Os agentes penitenciários também cruzaram os braços estão mantendo apenas os serviços essenciais, como alimentação e atendimento de casos de urgência dos apenados dentro das casas prisionais. O transporte de apenados para audiência judiciais ou entre presídios foi suspenso. “A categoria está revoltada e indignada. Não é descartada a possibilidade de promover 100% de greve com os agentes penitenciários abandonando os presídios”, advertiu o presidente da Amapergs Sindicato, Flávio Berneira.
Já na Polícia Civil, o movimento começou forte com a paralisação da categoria em todo o Estado. A Ugeirm Sindicato montou um acampamento na frente do Palácio da Polícia, em Porto Alegre. O presidente da entidade, Isaac Ortiz, constatou uma adesão maciça dos policiais civis. “A indignação é muito grande”, avaliou, observando que os casos graves permanecem sendo atendidos apesar da greve. Nenhuma viatura circula fora das exceções e investigações e operações estão paradas. “Não aceitamos o parcelamento”, acrescentou, lembrando que “a segurança pública vive o caos neste governo” por falta de efetivo, corte de horas extras e outras medidas decorrentes do contingenciamento. “Não se ouve o governo falar em combater a sonegação de impostos e revisar as isenções fiscais”, afirmou Isaac Ortiz, citando ainda a falta de investimentos e discussão da dívida. “O governo não move uma palha para resolver”, disse.
Já a presidente do Sinpol, Ilorita Cansan, confirmou que os policiais civis mantém apenas os 30% exigidos por lei. Ela reclamou que a notificação encaminhada por meio da Justiça para o governo do Estado, relativa à liminar concedida ainda em 2007 pelo STF que proíbe atraso ou parcelamento dos vencimentos, não chegou até o Palácio Piratini. “Está parada no meio do caminho”, protestou. A dirigente considerou a situação como “muito grave”.
PMs aderem à paralisação dos servidores da Segurança
Além de agentes penitenciários e policiais civis, BM e Corpo de Bombeiros se mobilizam