Dois policiais militares foram denunciados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) por suposto envolvimento com uma organização criminosa em São Leopoldo, no Vale do Sinos, em um esquema que incluía o pagamento mensal de até R$ 20 mil para garantir proteção ao tráfico de drogas. Os fatos ocorreram entre setembro e dezembro do ano passado.
A denúncia, que foi apresentada pela promotora de Justiça Anelise Haertel Grehs, inclui crimes como corrupção passiva, violação de domicílio, furto qualificado, revelação de segredo funcional e lavagem de dinheiro. Os dois policiais seguem presos preventivamente.
De acordo com o MPRS, os investigados recebiam valores mensais entre R$ 15 mil e R$ 20 mil de integrantes ligados ao tráfico, em troca de omissão em ações policiais, repasse de informações sigilosas e proteção a pontos de venda de entorpecentes. O esquema, conforme a denúncia, era estruturado, com divisão de valores, datas fixas de pagamento e atuação coordenada.
A investigação também apontou incompatibilidade entre a renda dos policiais e o padrão de vida apresentado, indicando o recebimento de recursos ilícitos ao longo do período apurado.
Além da atuação junto à organização criminosa, os PMs são acusados de invadir uma residência em novembro de 2025, mediante arrombamento, de onde teriam subtraído dinheiro e drogas avaliados em mais de R$ 400 mil. Conforme a denúncia, eles também acessaram sistemas restritos e repassaram informações sigilosas a terceiros.
Para ocultar os valores recebidos, os investigados utilizavam mecanismos típicos de lavagem de dinheiro, como movimentações fracionadas, depósitos em espécie e uso de contas bancárias de terceiros.
A apuração contou com o trabalho do Núcleo de Inteligência do MPRS (NIMP), coordenado pelo promotor de Justiça André Dal Molin, responsável por viabilizar quebras de sigilo bancário que embasaram a ação penal.
Em nota, a Brigada Militar destacou que os dois policiais foram afastados do cargo, ainda no ano passado, e presos. A corporação ressaltou que a prática dos denunciados é com os princípios que regem a Instituição.
Confira a nota na íntegra:
"A Brigada Militar informa que, por meio da Corregedoria-Geral, instaurou Inquérito Policial Militar (IPM) após o recebimento de denúncias contendo indícios de irregularidades envolvendo dois policiais militares no município de São Leopoldo.
No curso das investigações, foram adotadas, de forma imediata, as medidas administrativas e investigativas pertinentes, incluindo o afastamento cautelar dos militares estaduais de suas funções, o cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços vinculados aos investigados, bem como a representação pela decretação da prisão preventiva.
Essa medida foi deferida pelo Poder Judiciário e foi cumprida em 18 de dezembro de 2025, ocasião em que os policiais militares foram encaminhados ao Presídio Policial Militar, onde permanecem recolhidos.
Concluído o Inquérito Policial Militar, o procedimento foi remetido à Justiça Militar Estadual para apreciação e adoção das providências legais cabíveis. Na esfera administrativa, a Corporação instaurou Conselho de Disciplina contra os dois policiais militares, a fim de avaliar a continuidade ou não dos agentes públicos nas fileiras da Instituição.
A Brigada Militar reafirma que toda denúncia envolvendo indícios de irregularidades é apurada com rigor, celeridade e observância aos preceitos legais, não compactuando com desvios de conduta incompatíveis com os princípios que regem a Instituição.”