O delegado responsável pela investigação da chacina que resultou na morte de quatro pessoas, no dia 9 de março, em Novo Hamburgo, revelou que os dois policiais militares presos por suspeita de participação no crime trabalhavam fora da Brigada como seguranças. Moacir Fermino Bernardo contou que nesta manhã foram apreendidos coldres de pistolas e de revólveres, além de estojos de calibre .38, nas residências dos suspeitos. Tudo será encaminhado para perícia.
O investigador concluiu que o material derruba o argumento de um dos PMs. Ele negou, em depoimento, usar armas particulares. Os policiais são de Campo Bom e estão detidos preventivamente na carceragem do Batalhão de Operações Especiais (Boe), em Porto Alegre.
O inquérito deve ser finalizado até o início da próxima semana indiciando os PMs. Ainda não foram ouvidos os dois sobreviventes internados no Hospital Municipal de Novo Hamburgo. Eles foram transferidos da UTI para quartos e desde então recebem proteção policial. O terceiro hospitalizado morreu na semana passada. A polícia ainda tenta localizar outro sobrevivente, que conseguiu fugir ileso da casa invadida pelos atiradores.
Quatro armas que podem ter sido utilizadas nos homicídios foram apreendidas, parte delas pertencente à Brigada Militar. Os dois policiais detidos têm antecedentes por abuso de autoridade. O comando da BM no Vale do Sinos não está se manifestando sobre o assunto.
O crime
Por volta das 5h30min de terça-feira, 9 de março, homens invadiram a casa onde estavam as vítimas, na rua Chico Xavier, e atiraram várias vezes. Paulo Roberto Mauss, de 48 anos, Junior Ferreira, de 29, e Samuel Henrique dos Santos, de 19, morreram na hora. Diego Leite, 27, faleceu no Hospital Municipal. O local seria ponto de consumo de crack. O comando de policiamento no Vale do Sinos prefere não se manifestar sobre o assunto.
PMs suspeitos de chacina no Vale do Sinos faziam "bico" como seguranças
Polícia Civil apreendeu na casa dos suspeitos coldres e carregadores