O coronel Julio Miguel Molina Dias, de 78 anos, foi morto por volta das 21h em frente à casa onde morava no bairro Chácara das Pedras, na zona Norte de Porto Alegre. A partir da morte do militar, a Polícia Civil iniciou a investigação com o monitoramento dos suspeitos.
Ao contrário da suspeita de que o assassinato do coronel teria sido motivado por uma vingança em função dos atos da época da ditadura, a quadrilha estaria interessada somente no arsenal que o militar guardava em casa. A coleção foi classificada como "poderosíssima" pela Polícia Civil.
Segundo informações da Polícia Civil, a intenção do bando era ficar com as armas para cometer assaltos em Porto Alegre. A meta era invadir a residência e levar o arsenal. O que a quadrilha não esperava era a reação do coronel, que morreu no começo de novembro.
DOI-Codi
O coronel Molina fez parte na década de 1980 do Destacamento de Operações Internas (DOI-Codi) do Rio de Janeiro. Documentos encontrados na casa do militar elucidaram dois episódios até então não esclarecidos da época da ditadura. A morte do deputado cassado Rubens Paiva, em 1971, e o atentado ao Riocentro, durante a comemoração do Dia do Trabalhador, em 1981.
Os documentos, entregues pelas filhas do coronel Dias, correspondem a fichas, relatórios e manuscritos que trazem novas evidências de que Paiva foi morto por agentes do DOI-Codi. Entre os materiais, chamou a atenção um ofício datado de 20 de janeiro de 1971 - dia do desaparecimento de Paiva -, que contém uma relação de objetos pessoais que pertenciam ao deputado, como um chaveiro, documentos de identificação, dinheiro, relógio e roupas. O relatório identifica ainda que Paiva chegou ao DOI-Codi do Rio naquele dia trazido por uma equipe do Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (Cisa).