Polícia

PMs suspeitos de matar militar reformado do Exército são presos em operação

Julio Miguel Molina Dias foi morto ao reagir a um assalto na zona Norte de Porto Alegre

Ofensiva tem o objetivo de cumprir 14 mandados de busca e apreensão e quatro de prisão
Ofensiva tem o objetivo de cumprir 14 mandados de busca e apreensão e quatro de prisão Foto : André Ávila
Uma operação da Polícia Civil foi deflagrada na manhã desta terça-feira com o objetivo de prender os suspeitos de terem assassinado o militar reformado do Exército Julio Miguel Molina Dias no dia 1º de novembro. Cerca de 100 policiais civis, seis oficiais da BM e agentes da Corregedoria da BM participam da ação. A ofensiva na zona Sul de Porto Alegre tem o objetivo de cumprir 14 mandados de busca e apreensão e quatro de prisão. Até o momento, quatro suspeitos foram presos. Entre eles, dois policiais militares do 11º Batalhão. Além disso, foram apreendidas armas, touca ninja e drogas. 

O coronel Julio Miguel Molina Dias, de 78 anos, foi morto por volta das 21h em frente à casa onde morava no bairro Chácara das Pedras, na zona Norte de Porto Alegre. A partir da morte do militar, a Polícia Civil iniciou a investigação com o monitoramento dos suspeitos.

Ao contrário da suspeita de que o assassinato do coronel teria sido motivado por uma vingança em função dos atos da época da ditadura, a quadrilha estaria interessada somente no arsenal que o militar guardava em casa. A coleção foi classificada como "poderosíssima" pela Polícia Civil.

Segundo informações da Polícia Civil, a intenção do bando era ficar com as armas para cometer assaltos em Porto Alegre. A meta era invadir a residência e levar o arsenal. O que a quadrilha não esperava era a reação do coronel, que morreu no começo de novembro.

DOI-Codi


O coronel Molina fez parte na década de 1980 do Destacamento de Operações Internas (DOI-Codi) do Rio de Janeiro. Documentos encontrados na casa do militar elucidaram dois episódios até então não esclarecidos da época da ditadura. A morte do deputado cassado Rubens Paiva, em 1971, e o atentado ao Riocentro, durante a comemoração do Dia do Trabalhador, em 1981.

Os documentos, entregues pelas filhas do coronel Dias, correspondem a fichas, relatórios e manuscritos que trazem novas evidências de que Paiva foi morto por agentes do DOI-Codi. Entre os materiais, chamou a atenção um ofício datado de 20 de janeiro de 1971 - dia do desaparecimento de Paiva -, que contém uma relação de objetos pessoais que pertenciam ao deputado, como um chaveiro, documentos de identificação, dinheiro, relógio e roupas. O relatório identifica ainda que Paiva chegou ao DOI-Codi do Rio naquele dia trazido por uma equipe do Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (Cisa).

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