Para o delegado Luís Rogério Carvalho de Lima, que chefiou as investigações, o bairro está provisoriamente livre do crime organizado. No entanto, ele lamenta a falta de efetivo para dar continuidade ao trabalho. Conforme o delegado, toda a investigação foi realizada com apenas dois policiais. “Em função da posição geográfica, a Vila Brizola fornecia drogas para usuários de Canela e Gramado. Focamos as ações no bairro durante todo ano. O que nos frustra é saber que não poderemos dar prosseguimento ao trabalho em função da falta de efetivo”, protestou Lima.
O combate ao tráfico na Vila Brizola foi intensificado após o bairro registrar o terceiro homicídio no ano. Em 2011, o município todo teve apenas cinco crimes da mesma natureza. Segundo o delegado, os três assassinatos do bairro tinham relação direta com o tráfico.
Na primeira operação, denominada de Cela 5, que encerrou em junho, foram presos dez suspeitos. Os investigadores apuraram que detentos comandavam o esquema de distribuição de crack de dentro do presídio. “Com o monitoramento telefônico, descobrimos que existia uma espécie de acordo do tráfico. Nenhum traficante assumia o ponto, mas ajudava o patrão anterior a se restabelecer. Não havia disputa”, conta.
Após desarticular o bando, outro grupo passou a comandar o comércio de crack na vila. Conforme o delegado, os traficantes também eram usuários da droga. “Houve uma mudança de comportamento. Eles tinham entre 18 e 23 anos e eram mais violentos. O grupo também abriu espaço para traficantes de fora da cidade atuar no bairro”, destacou Lima.
Na Operação Brizola 2, que iniciou em julho e terminou nesta segunda, foram presos outros dez acusados. Os líderes do esquema eram de Santa Catarina e Sapiranga. Os patrões usavam gerentes e subgerentes do tráfico. De acordo com Lima, a quadrilha movimentava R$ 100 mil e comercializava 10 mil pedras por mês. “O bando usava menores e ainda aliciava meninas para prostituição."