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Polícia aponta contradições para indiciar pai de Bernardo

Escutas telefônicas foram usadas para apurar envolvimento de Leandro Boldrini

Escutas telefônicas foram usadas para apurar envolvimento de Leandro Boldrini
Escutas telefônicas foram usadas para apurar envolvimento de Leandro Boldrini Foto : Tarsila Pereira
As supostas contradições demonstradas por Leandro Boldrini nos depoimentos e as escutas telefônicas de conversas após sua prisão foram decisivas para a polícia apontar sua participação no planejamento da morte do filho Bernardo Boldrini, de 11 anos. Em entrevista coletiva após a entrega do inquérito do caso ao Ministério Público (MP), a delegada Caroline Bamberg Machado relatou trecho de uma conversa com um irmão que seria decisivo para provar que ele sabia detalhes da morte do menino.

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De acordo com Caroline, o irmão contou a Leandro que a polícia havia achado manchas que poderiam ser sangue no banco traseiro do veículo de Graciele e que seria feita a perícia. Nesse momento, Leandro teria dito ao irmão que o garoto não havia retornado no carro, comprovando, de acordo com a delegada, que ele sabia que o garoto havia sido levado e não tinha voltado com esposa de Frederico Wesphalen.

Além disso, o medicamento usado por Graciele Uglini para matar Bernardo Boldrini foi comprado com um receituário supostamente assinado por Leandro Boldrini. O médico teria assinado a receita destinada à amiga do casal e assistente social, Edelvânia Wirganovicz, que fez a compra do remédio com a substância midazolam. A polícia ainda espera o resultado da perícia para comprovar a veracidade da assinatura no receituário.

Logo que foram avisados do sumiço de Bernardo, os policiais passaram a trabalhar com três hipóteses: desaparecimento por conta própria, sequestro e homicídio. Conforme Caroline, já no final do primeiro dia das investigações a polícia chegou à certeza de que o menino havia sido assassinado. Na sequência, informações de testemunhas sobre a relação tumultuada de Graciele e Leandro com Bernardo levaram ao caminho de que eles haviam planejado a morte do garoto.

O comportamento de Leandro Boldrini após o desaparecimento de Bernardo teria gerado estranhamento até mesmo em amigos do médico. Segundo relato da delegada, ele teria se mostrado tranquilo com a situação e não se mostrava interessado em seguir as pistas que apareciam logo após o desaparecimento do menino. Caroline Bamberg afirmou que seria mais uma prova de que ele tinha pleno conhecimento do que havia ocorrido com o filho.

A polícia ainda teve a informação de uma amiga da madrasta de Bernardo, que foi até aos polícias após saber da morte do menino, de que Graciele a teria procurado no mês de janeiro para conversar sobre a tumultuada relação com o garoto. Na ocasião, Graciele teria dito à amiga que ela e o pai teriam tomado a decisão de matar o garoto sugerindo que precisavam de ajuda. Após ver a ideia reprovada pela amiga, Graciele foi embora e então teria encontrado na assistente social Edelvânia Wirganovicz a cúmplice para o crime.

Defesa refuta provas contra Leandro Boldrini


Logo após a entrevista coletiva dos delegados, o advogado de Leandro Boldrini, Jader Marques, contestou os argumentos usados pela polícia para garantir a participação do seu cliente na morte de Bernardo Boldrini. De acordo com o defensor, os elementos apresentados não comprovam que Leandro planejou o assassinato do filho.

“Saio dessa entrevista com a redobrada convicção de que houve uma divulgação prematura da autoridade policial. Por meio do inquérito e da entrevista não vi nenhum elemento que comprove a participação do meu cliente”, disse Jader Marques à Rádio Alto Uruguai.

Jader Marques ainda reclamou do julgamento feito pelos policias a respeito da reação de Leandro e saber da morte do filho. “São elementos que dependem das impressões subjetivas das autoridades, como a que se dá em relação ao comportamento que um pai deve ter ao receber uma notícia. A autoridade dita o comportamento que deve ter e não respeita ao que a pessoa tem. Há uma individualidade que precisa ser respeitada. A característica do Leandro é desse tipo de comportamento. É um cirurgião, uma pessoa acostumada a lidar com a defesa da vida. Temos relatos de colegas médicos de que congelaram em situações de acidentes de trânsito e ele não” afirmou.

Em relação à conversa relatada pela delegada Caroline Bamberg Machado em que Leandro Boldrini afirma para o irmão que o sangue encontrado no banco traseiro do carro de Graciele não poderia ser de Bernardo porque o menino não voltou com ela, o advogado sustenta que seu cliente disse isso porque a esposa trouxe uma televisão no veículo. Desta forma, o menino poderia apenas ter estado no banco da frente do automóvel. “O Leandro sabia que a televisão havia sido transportada no banco de trás. Por isso ele disse que o Bernardo não poderia estar ali atrás. Isso é uma prova de que os elementos usados por eles são frágeis", concluiu.

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