Polícia

Polícia aproxima relação com crianças em vila da Capital

Brigadianos visitaram ONG e distribuíram presentes e salgadinhos

Polícia aproxima relação com crianças em vila da Capital
Polícia aproxima relação com crianças em vila da Capital Foto : Mauro Schaefer
Oriunda de uma das regiões mais violentas de Porto Alegre, na zona Norte, Carmem (o nome é fictício), de oito anos, teria uma tendência a rejeitar naturalmente qualquer pessoa de farda. Pois, nesta terça-feira tarde, ela e mais 70 crianças e adolescentes, além de outros integrantes da comunidade, participaram de uma ação social da Brigada Militar, promovida por 28 oficiais alunos da Academia de Polícia Militar. A iniciativa, que teve lugar no Território da Paz, na Casa Santa Clara – uma ONG, na Vila Herdeiros, no bairro Agronomia –, teve distribuição de presentes e salgadinhos, oficinas de dança, ginástica e uma aula do Programa de Prevenção ás Drogas (Proerd).

Carmem, filha de um operário da construção civil e de uma dona-de-casa, ano que vem estará cursando o 3º ano do Ensino Fundamental, afirma ter simpatizado com os policiais militares. Ela ressalta ter participado de várias brincadeiras, como o concurso de estourar balões. A garota, que como seus colegas foram avisados do dia em que os PMs – fardados –, estariam na sede da ONG, disse ter simpatizado com os policiais. “Os brigadianos são legais”, resume. “Tenho a intenção de seguir carreira na Brigada Militar”, afirma.

Polícia cidadã

De acordo com a coordenadora da casa, a assistente social Lisiane do Carmo, a ONG é integrante do Centro de Promoção da Criança e do Adolescente (CPCA), onde as crianças têm aulas em turnos inversos, além de outras atividades. Para Lisiane, a iniciativa reforçou o vínculo com a polícia comunitária. Segundo ela, foi a primeira vez que isso ocorreu e, no seu entendimento, serviu para que ambas as partes tivessem um visão melhor uma da outra. “As crianças conheceram um lado humano dos PMs, ou seja a verdadeira Polícia Cidadã”, analisou a assistente social. “Assim como os brigadianos estão tendo contato com a realidade destas pessoas, as vendo de uma maneira diferente.”

Para um dos participantes da ação, o oficial aluno Gilmar Bischoff, foi uma alegria participar do evento. Ele, que é natural de Ijuí, casado e com filhos, passará o Natal, na Capital, em companhia dos colegas de farda. O curso conta com 114 aspirantes e mais da metade ficará em Porto Alegre, durante as festas. “Foi uma iniciativa importante”, resume o futuro capitão. “Ao invés da comunidade tentar chegar em nós, fizemos o inverso, formos até ela, escutar o que têm a nos dizer”, explicou.

Gilmar afirma não ter sentido rejeição ou medo das crianças pro causa da farda. Ele considera a ação como uma forma de levar um pouco de alegria e descontração a estes jovens, na época do Natal. “É uma maneira de afastá-los da violência, mesmo que momentaneamente”.

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