O quebra-cabeça dos envolvidos no confronto entre dois grupos rivais no interior da Stuttgart Cervejaria e Danceteria, na avenida Princesa Isabel, no bairro Santana, em Porto Alegre, está sendo montado pelo delegado Filipe Bringhenti, da 2ª Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (2ª DPHPP). De acordo com ele, o primeiro passo para esclarecer o crime é identificar, entre os 15 feridos, a participação ou não de cada um no tiroteio ocorrido na madrugada de segunda-feira dentro da casa noturna. “Queremos saber quem é quem”, declarou. Os policiais civis já estão levantando os endereços e relacionamentos sociais de cada ferido para intimá-los depois a prestar depoimento. Em caso de desobediência, alertou, será determinada a chamada condução coercitiva. Uma série de diligências estão sendo realizadas e um monitoramento de conversas e postagens nas redes sociais encontra-se em andamento.
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Filipe Bringhenti quer ouvir também os cinco suspeitos presos pelo 19º BPM após confronto no bairro Agronomia. “Há fortes indícios contra eles”, revelou na manhã desta terça-feira, citando como exemplo a chave que portavam de um veículo estacionado perto da casa noturna. Conforme o titular da 2ª DPHPP, o Fiat Uno onde estavam os cinco suspeitos teria sido visto na Stuttgart. Ele acrescentou ainda que existem relatos de que o veículo parou na frente da casa noturna para desembarcar os suspeitos. Para comprovar isso, os agentes estão em busca de imagens de câmeras de segurança no entorno da danceteria e até no trajeto do carro em fuga provavelmente rumo ao bairro Agronomia.
A principal linha de investigação é de que o tiroteio na casa noturna envolveu rivais do Beco dos Cafunchos, no bairro Agronomia, e do Condomínio Princesa Isabel, no bairro Azenha, sendo esse último uma extensão do grupo da Cruzeiro do Sul e Santa Tereza. O delegado Filipe Bringhenti quer saber como as armas entraram na Stuttgart, pois existem duas versões. A primeira indica que uma mulher entrou com o armamento dentro de uma sacola, distribuindo aos cúmplices. A segunda é de que os seguranças foram rendidos antes por dois homens, mas os agentes entendem que tal ação chamaria a atenção de todos e colocaria em risco o plano dos atiradores. A questão da revista dos frequentadores na entrada está sob apuração.
O titular da 2ª DPHPP admitiu dificuldades em obter testemunhas, pois todos temem se comprometer com o caso. Até o momento foram ouvidas duas pessoas que negaram ter visto algo. Filipe Bringhenti acredita que o número de feridos é muito maior, mas muitos abandonaram o local para não serem identificados. Ele pede que seja repassada qualquer informação, com garantia de anonimato, pelo telefone 197 e o 3371-4000 ou através do e-mail poa-dphp02@pc.rs.gov.br.
Para o titular da 2ª DPHPP, a escolha da casa noturna para o confronto foi bem planejada pois estariam reunidos os inimigos em um único local e haveria uma multidão em pânico para facilitar a fuga.
Já o diretor da Divisão de Fiscalização da Secretaria Municipal da Indústria e Comércio (Smic), Rogério Stockey, disse na manhã desta terça-feira que o órgão vai acompanhar as investigações da Polícia Civil e aguarda um possível pedido de interdição da casa noturna. “Quem pede o fechamento é autoridade policial”, esclareceu, observando que a Smic está pronta para interditar o local, que funciona com uma liminar judicial desde maio de 2012. O órgão já abriu, no entanto, um processo administrativo em relação ao caso.
Até o final da manhã de hoje havia apenas um único ferido ainda internado. A vítima está em estado regular no Hospital de Pronto Socorro. Os demais já tiveram alta e muitos desapareceram rápido para não serem ouvidos pelos policiais civis.
Polícia busca identificar participação de cada vítima do tiroteio na Stuttgart
No entanto, há dificuldades em obter testemunhas, pois todos temem se comprometer com o caso